Entre duas intensas paixões

Publicado em: 03/07/2006

Quando era apenas um estudante do Colégio Lapagesse, foi convidado pelo amigo Clésio Búrigo (já falecido) para trabalhar na Rádio Eldorado, de Criciúma. Tinha 15 anos. Meio século depois, é impossível falar da história da imprensa e do rádio sul-catarinense sem mencionar Francisco Milioli Neto.
Por Anderson de Jesus
Correspondente/Criciúma
Perfil – A Notícia – 02/07/2006

“Em 1956, eu estudava e o Clésio me convidou para trabalhar em rádio. Aceitei e nunca mais parei. Nestes 50 anos, passei pela Eldorado, pela Difusora e agora estou aqui na Transamérica”, conta Milioli, 65 anos, que também dedicou boa parte da carreira ao jornal e à televisão. “Comandei a primeira transmissão da extinta TV Eldorado, mas também fui funcionário público e atuei em outras áreas da iniciativa privada, sempre de forma paralela às minhas atividades na imprensa”, recorda.
A ligação de Milioli com o rádio surgiu graças ao futebol. Fanático pelo esporte, sintonizava as rádios cariocas para saber do Bangu, o primeiro time do coração. A ligação com o Comerciário e o Criciúma surgiu depois. “O Bangu decidiu o título carioca de 51, tinha uma equipe fantástica. Ouvia as notícias do time pelas rádios cariocas, e tomei gosto pela coisa”, destaca.
A união entre o comentarista e o futebol foi tão intensa que em 1986 Milioli deixou a cabine de transmissão para assumir um posto de diretor no Criciúma Esporte Clube. A parceria deu certo. Milioli ajudou o clube a conquistar o primeiro título catarinense (a equipe havia sido campeã em 69, mas ainda com o nome de Comerciário). “Senti que poderia ajudar o clube e abracei o time. Esse elo se mantém até hoje, e sempre vai existir. Antes de ser dirigente, juiz ou profissional de imprensa, somos torcedores. Não tem como separar”, avalia.


Aos 65 anos, Milioli Neto estréia em FM:
“Uma experiência interessante, que colocou minha versatilidade à prova”.
Foto: Andreza Bergmann/CF/AN

Apesar de ter ajudado o Criciúma a engordar a galeria de títulos, Milioli mantém com a torcida do clube uma relação de amor e ódio. Essa relação conturbada está explícita na rede mundial de computadores. Duas comunidades do Orkut dividem os que amam (“Eu amo Milioli Neto”) e os que odeiam o comentarista (“Te aposenta Milioli Neto”). “Isso é natural. Todos que emitem opinião, criticam ou elogiam alguém ou alguma entidade provocam naturalmente estes dois sentimentos”, ameniza.
Aos 50 anos de carreira e estreando em FM, Milioli Neto faz uma crítica à sua trajetória profissional: “Acho que podia ter sido mais organizada. Sofri muito em função de toda a turbulência provocada pelos momentos políticos vividos pelo País.” Mas está satisfeito com a atual fase da vida: “Neste momento, estou provando uma nova sensação, que é trabalhar em FM. Está sendo uma experiência interessante, que colocou minha versatilidade à prova.”


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