Era uma segunda

Publicado em: 05/08/2007

Era uma segunda-feira quando assisti minha primeira aula de rádio. Lá estava ela  espremida na grade das disciplinas, pregada no mural do corredor: Redação para radiojornalismo (humm). Até então, meu xodozinho no jornalismo era foto. Não me imaginava repórter, nem apresentadora do Jornal Nacional (ai ai, e a esperança dos meus pais?) e de resto, não tinha idéia das mil facetas que um jornalista poderia incorporar. Nem importava não, meu negócio era foto. Bem…até minha primeira aula de rádio.
Por Marianna Wachelke

Frases curtas, diretas, tudo em caixa alta, com as barrinhas no fim de cada frase. Era eu correndo para o outro lado do campus com um gravador, as perguntas ridículas, as gaguejadas e o ‘né’ no fim de casa frase. Um horror. Passado um tempo, a turma já pautava matérias, decupava entrevistas, editava e apresentava um radiojornal.
Um semestre depois, eu e uma amiga criamos um programa dentro da grade da rádio universitária. O Salto Alto era um programa feminino semanal que falava sobre moda, cultura, comportamento e saúde, veiculado ao vivo nos estúdios da universidade. O programa virou nosso primeiro projeto, que ficou mais de três anos no ar. Toda sexta à noite era uma delícia: uma com o disquete para imprimir o script, a outra programando a ordem das vinhetas. Cobrimos desfiles de moda, entrevistávamos ginecologistas, esteticistas, psicólogas, nutricionistas, além das enquetes com o público universitário, agenda cultural e por aí vai.
No segundo ano da faculdade, entrei para o projeto de extensão Universidade Aberta, um site voltado para as notícias do Ensino Superior e comunidade universitária. Dentro das atividades, estava um boletim diário para a CBN Diário (sim, nós achávamos importantíssimo) e ainda fomos responsáveis por grande parte da cobertura de greves, movimento passe livre, manifestações e iniciativas culturais.
Mais tarde consegui uma vaga como estagiária na Rádio Udesc. Comecei como redatora, passei por programadora, fiz bico de locutora da agenda cultural e depois me vi com um programa diário de entrevistas. Durante seis meses, levantei pautas e contatei os entrevistados do dia (políticos, médicos, artistas, consultores, estudantes e outras diversas profissões). Sem contar as noites ouvindo a Voz do Brasil e programando as vinhetas e blocos de música (e claro, afinando os ouvidos com muita MPB).
Agora formada e seis disciplinas e uma monitoria de rádio depois, dá pra sentir que muita coisa mudou do meu primeiro contato com o curso de jornalismo. Hoje nem fotografo mais, apenas clico viagens ou momentos especiais – e confesso, não era muito paciente na sala de revelação. Também não trabalho com rádio, afinal, me restaram poucas as oportunidades em comparação a sites, jornais, revistas e informativos. Ao longo de diversos estágios, me apaixonei por jornalismo impresso (sim, quase um adultério), mas ainda olho (ou escuto) rádio com carinho.

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