Estatura da vida

Publicado em: 11/09/2011

Existem algumas frases que ficam marcadas em nossa mente por muito tempo, às vezes por toda a vida! Uma, especialmente, me acompanha há bastante tempo. Trata-se do início da letra de um hino religioso, que diz: “Eu vivo à procura da minha estatura…”. No início, creio que ela chamou minha atenção por fugir a convenções; mas, depois, cheguei à conclusão de que eu me identificava com ela, pois, de fato, ainda vivo à procura da minha estatura e talvez o faça até o fim da vida. Obviamente, não estou falando de estatura física, mas de outras, muito mais significativas.

Crescer fisicamente é, a priori, um processo natural, embora existam “culturas” que enfaixem pés, para mantê-los pequenos, ou estiquem pescoços, por razões estéticas. Também existem tratamentos glandulares que aceleram ou contêm processos de crescimento. Mas todos esses exemplos são exceções à regra.

A estatura física elevada, aliás, é muito útil em várias situações, tais como: em cinemas e shows, para fazer sombra, no vôlei e no basquete. Mas, ser alto não é necessariamente sinal de inteligência, sabedoria ou elevação espiritual. Esse tipo de estatura é muito mais difícil de alcançar ou medir, até porque não tem limitações físicas. Enquanto o crescimento do corpo ocupa espaço tridimensional e limitado, o desenvolvimento da mente otimiza um espaço já disponível que, até prova em contrário, é multidimensional e infinito.

No caso da estatura física, existem sistemas de medidas e padrões mundialmente adotados, que medem sem discriminação:

Alto é alto e baixo é baixo! E não importa credo, raça ou condição social. Já no caso do intelectual, os educadores do mundo se desdobram na busca de fórmulas eficientes para ensinar e aferir aprendizagem, num dinâmico e constante processo evolutivo.
 
Mesmo assim, ainda lutam para identificar a tênue fronteira entre a formação de pensadores autônomos e a tentação de doutrinar discípulos servis e dóceis. Já os critérios de medição sócio-político-cultural ainda são bastante arcaicos, pois têm como referências intransponíveis os objetivos e predileções de quem faz a “aferição”.

“Esse me serve! Esse não me serve!”, parece ser o critério de avaliação padronizado, com ênfase especial nos quesitos: obediência cega, culto à personalidade e capacidade de renunciar à liberdade de pensamento. Os “pés”, “polegadas”, “braças” e afins dos líderes ainda são os padrões em cada um desses “reinados”. As únicas regras comuns que eles adotam são: o condicionamento de quem se submete à reverência pessoal, e sua condição de intocáveis e inatingíveis.

Será que isso é algum tipo de compensação? Será que treinam física e mentalmente as pessoas para que assim “curvadas” fiquem menores do que elas?
Obviamente, isso denota o medo que cada um tem de perder seu trono. Afinal: “Rei morto, rei posto!”.
Infelizmente, sua sobrevivência depende da manutenção da ignorância. Daí, sua influência no desenvolvimento intelectual se limita à interposição de barreiras ao crescimento dos outros.

Por isso é importante que nunca deixemos que os outros definam nossa estatura. Para tanto é indispensável que nossas vidas sejam estruturadas com elementos e princípios que nós dominemos e saibamos revisar e aprimorar, de forma a preencher bem e progressivamente os infinitos espaços disponíveis em nossas mentes.

A relação entre o conhecimento e a mente é como coração de mãe: sempre cabe mais um!

Mas não basta preencher espaços com conhecimento. É preciso fazer bom uso de ambos, senão seremos apenas arquivos de cópias ou, pior, lixeiras dos pensamentos dos outros.

Viver, como na letra do hino, deve ser uma consciente e constante busca da própria estatura.

É uma benção divina que ela não tenha fim! E maior ainda, porque sempre nos surpreende!
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