Eu e Fausto Silva nas alturas do Ecuador

Publicado em: 12/08/2007

Nossa viagem de Quito e Cuenca após a derrota do Corinthians para o Deportivo Nacional por dois a um, no domingo, ocorreu logo cedo na segunda-feira. Voamos num Viscount da Fuerza Aérea Ecuatoriana.
Por Edemar Annuseck

Um vôo de 45 minutos sobre a Cordilheira dos Andes, que ficou marcado até hoje em minha memória. O avião balançava mais que  folha de papel ao vento. Os passageiros ficavam frente a frente, pois assim era a disposição das poltronas. Todos de terno e gravata. À minha frente estavam sentados o Faustão e o goleiro Jairo, que estava mais branco do que o Sabão Omo. Percorrendo o corredor o zagueiro Moisés – o xerife – com uma sacola daqueles que  na época se usavam para levar as chuteiras. No interior da mesma o Moisés trazia dólares e sucres (a moeda ecuatoriana)  para fazer câmbio com os jogadores. Ele não estava nem aí para a turbulência. Na verdade, voamos no meio das nuvens; não dava para enxergar nada. E no Aeroporto local só desciam aeronaves tipo Viscount, Avro, e aviões de pequeno porte.
Na chegada a Cuenca (a terceira cidade mais importante do Equador), nos hospedamos no Hotel El Dorado (é assim mesmo que se escrevia). Enquanto me acomodava o Faustão pediu que descesse. Defronte o hotel havia uma oficina de costura onde se confeccionavam calças de jeans. O Faustão foi logo divulgando o que havia descoberto : o produto é bom e barato; faça como eu, tire a medida e mande confeccionar logo uma meia dúzia. Era época da  “boca de sino”, modelo de calça que a gente usava. À noite fomos recepcionados pela Associação de Cronistas Esportivos com um jantar simplesmente sensacional. Enquanto ocorriam os discursos o Loureiro Jr. tirava umas casquinhas do enorme porco assado que seria servido no jantar. No dia seguinte (terça-feira) uma visita e recepção para almoço (um churrasco) na “quinta” (sítio) de um jornalista aposentado de Cuenca. Uma confraternização de fazer inveja. Fomos cumulados de muitos de muitas gentilezas, brindes e até com um long-play, que guardo até hoje como músicas tradicionais da região. Lá pelas tantas perguntei se havia cerveja.
Um dos amigos jornalistas ecuatorianosa apontou para as caixas que estavam ao lado da geladeira. Como lá faz muito frio, as cervejas não são colocadas para gelar. Ele sugeriu que eu colocasse pedras de gelo no copo de cerveja, o que convenhamos, seria um absurdo.Tomei a cerveja ao natural. Teve colega que tomou tanta caña e cerveja que virou cantor durante o almoço. Recepção nota dez que os amigos da imprensa de Cuenca nos fizeram. Na quarta-feira à tarde o jogo contra o Deportivo Cuenca. Nova derrota do Corinthians e, novamente por dois a um. O Palhinha fez o gol do Corinthians escorando com as nádegas uma rebatida do goleiro local. Na  transmissão eu usava a frase “uma jogada de Pelé do ataque do Corinthians” quando era um lance de perigo do ataque mosqueteiro. A torcida virava pra cabine pela curiosidade que a frase causava!


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