Europa, crise prevista

Publicado em: 28/03/2012

Constata-se uma baixa ação em marketing e em inovação nas empresas e de parte dos governantes. Por outra parte, observa-se que a qualidade dos serviços de turismo caiu em vários desses países

Günther Staub *

A crise europeia começou há muito tempo. No início da década de 1970, o político e escritor Jean Jacques Servan-Schreiber escreveu um livro intitulado “Le Défi Américan – O Desafio Americano” que tinha como tema central a distância tecnológica que separava os Estados Unidos dos países da Europa, especialmente a França. Ele salientava, por exemplo, a enorme capacidade de inovação do povo americano em relação ao francês. Citou o aporte de tecnologias que o programa espacial americano proporcionava, bem como fez comparações entre o crescimento da IBM e da BULL.

Fundamentalmente, ele desenvolveu a tese de que a maior velocidade de desenvolvimento e investimento dos americanos em pesquisa, acabaria distanciando-os cada vez mais dos europeus.

Na década de noventa, participei de muitas feiras em Portugal, Espanha, Alemanha, Inglaterra e Itália. Nessas ocasiões, o que sempre me chamou atenção foi a enorme e fácil gastança dos europeus, especialmente dos governos de alguns desses países. Nesse período, levei uma delegação de vinte e um empresários a examinar a estrutura turística de vinte e duas cidades da Região do Veneto (na Itália).

Na primeira cidade visitada, um economista em sua exposição fez uma projeção da estagnação e da diminuição da população italiana. Indaguei então se iriam sobrar escolas, hospitais, universidades e se os investimentos em infraestrutura como água, esgoto, moradias, estradas, ferrovias, portos, aeroportos cairiam drasticamente. Ele respondeu que sim, que a Itália estava praticamente pronta, por isso não precisaria investir tanto.

Comentei, então, que, dessa forma, a Itália pagaria suas dívidas externas e internas e depois baixaria os impostos para tornar a indústria italiana mais competitiva. Ele respondeu que nem uma coisa nem outra. A massa de dinheiro liberada seria distribuída entre as pessoas, ou seja, não economizariam nem diminuiriam muito o endividamento do país. O resultado está aí: a Itália e outros países quebraram. Hoje os europeus estão muito assustados e, por relatos de viajantes, noticiários, revistas especializadas e observação própria, constata-se uma baixa ação em marketing e em inovação nas empresas e de parte dos governantes. Por outra parte, observa-se que a qualidade dos serviços de turismo caiu em vários desses países.

Concluindo, os fundamentos das dificuldades atuais da Europa foram lançados há muito tempo e poucas iniciativas macro e microeconômicas foram feitas para tirar os europeus dessa enrascada que eles mesmos construíram para si. O que mais dificulta sua recuperação é a cultura europeia de autossuficiência, em relação às outras partes do mundo, embora lá ainda existam muitas oportunidades que não estão sendo desenvolvidas.

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