Exploração por assinatura

Publicado em: 13/06/2013

A popularização da TV paga no país provocou uma revolução na vida dos telespectadores. Com o novo “brinquedo”, ninguém mais ficaria preso à programação dos canais abertos. Documentários, telejornais e programas esportivos poderiam ser assistidos em canais especializados, na hora em que o assinante bem entendesse.

Para os aficionados por futebol, era a glória: agora não estavam mais restritos às poucas transmissões no domingo à tarde ou na quarta-feira. Teriam mais opções, tanto de horários quanto de partidas.

Naturalmente, as empresas logo perceberam o filão e passaram a criar pacotes com maior variedade de jogos. E, claro, a cobrar à parte por isso. Era a “tv paga dentro da tv paga”. Passo seguinte, os bons jogos na programação convencional começaram a rarear. Se no início era possível assistir a um grande clássico (Corinthians x São Paulo, por exemplo) em um canal por assinatura “básico”, isso deixou de ser possível. Agora, esses canais – que, sempre é bom lembrar, já são pagos – transmitem Ponte Preta x União Barbarense. Quem quiser ver o clássico, que pague duas vezes: pela assinatura principal e pelo “peipervíu”. Começou assim a exploração.

Até determinado ponto, essa estratégia ficou restrita aos eventos esportivos. Fãs de documentários não faziam parte do “alvo” pretendido pelas operadoras. Então, sintonizar no Discovery ou no History Channel ainda possibilitava assistir a bons programas. Mas isso também é passado.

Há algum tempo, a programação “premium” desses canais também começou a perder qualidade. Muitas reprises de programas que despertam pouco interesse provocaram a reclamação dos assinantes, que estavam pagando para ter algo mais atraente.

Na semana passada, lendo algumas discussões em um fórum sobre TV por assinatura, a ficha caiu. No caso específico, os usuários elogiavam a fantástica programação do canal de documentários Philos, distribuído pela NET. Achei estranho, já que sou assinante da operadora há alguns anos e não tenho esse canal em meu pacote.

E então descobri a artimanha: a NET possui um serviço chamado NOW, em que o cliente pode escolher alguns programas e assisti-los na hora que desejar. Obviamente, se a pessoa já paga pelo canal em sua assinatura, isso não é cobrado novamente. Acontece que o Philos não é um canal comum da operadora, está apenas no NOW. E, para assisti-lo, você tem que contratar um pacote adicional que contenha essa opção. Até são exibido alguns poucos programas dentro da programação do canal Globosat+, mas o filé mignon está somente no pacote adicional.

Em resumo, para assistir aos documentários que realmente valem a pena (assim como aos grandes jogos), você tem que pagar duas vezes. Primeiro pela assinatura principal, que grosso modo apenas te dá o direito de contratar o pacote adicional, que é o que você realmente deseja.

Assim, pagamos hoje para ter os programas insossos que já tínhamos antes de graça. Para ter o diferencial, temos que pagar novamente. É ou não uma verdadeira exploração por assinatura?

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *