Extra: loucos sonhos para o terceiro milênio

Publicado em: 31/12/2011

Logo mais quando o cronômetro zerar o 31 de dezembro de 2011, abra a janela e respire: você estará navegando nas ondas da segunda década do terceiro milênio, ou para os íntimos, você estará em pleno terceiro milênio ponto dois. Por que me atrevo a essas notívagas divagações? Por pura alegria de poder partilhar com você algumas confidências de uma fase sonhadora que um dia me maltrataram e hoje são a melhor recompensa que eu poderia esperar. E sabes por quê, mo pombo?  Por que numa fase da minha juventude fui bombardeado por algumas pessoas das ‘antigas’ que chegavam a me chamar de Maluco Beleza e outros impropérios de menor monta. Mas, deixa prá, isso já passou. Muitos deles já foram pro beleléu e eu to aqui curtinho os saldos generosos da minha conta bancária e o carinho da família que continua crescendo. Mas, pensando bem foi tudo muito engraçado.

Foi lá pelos anos 1960, se não me engano. Pra quem é mais novo é difícil de imaginar como era a cidade de Florianópolis. Agora está tudo mudado: lonas arriadas, campos transformados em bairros, becos se transformaram em ruas, ruas  viraram avenidas, tudo longe da realidade atual. A única coisa mais ou menos parecida é que naquele tempo já havia fila da ponte e faltava energia em momentos de temporal e água na temporada de verão…
Mas, vamos lá. No início, o que me chateou é que amigos fraternos, aqueles que eu tinha como irmãos me pisaram e me taxaram de louco porque eu sonhava a Ilha como um grande parque. Um parque central integrado pela Fazenda dos Padres (hoje Bairro Santa Mônica); o Horto Florestal ocupado pela Universidade Federal de Santa Catarina com seus cursos e faculdades – existentes e posteriores – funcionando como hospitais e centros de cultura e artesanato na região central da Ilha. O Centro Histórico – hoje cidade velha – preservado, transformado em memorial arquitetônico, com bibliotecas, museus e teatros alimentados por uma programação patrocinada pelo governo e pela iniciativa privada com extensões para bairros como o Roçado, Barreiros e Estreito. Ah!, sim. Incluindo também o Pasto do Bispo, entre as ruas Esteves Junior, Avenida Rio Branco, Duarte Schutel e Almirante Lamego. Seríamos uma nova Coimbra no continente Sul Americano, com certeza, ora pois.
Sério. Eu imaginava algo como o o Paraíso, paraíso que eu vivi com frutas com gosto de frutas, gente com cara de gente, estações climáticas bem definidas e com um outono divino. Eu queria esse legado como sendo o Pulmão da ILha Encantada.
Mas, fui tratado como um alienígena: subversivo, sonhonhoca perigoso, retrógrado, absurdo e visionário, para não falar em outras pechas arroladas como “títulos honoríficos”; como por exemplo, a alcunha de Maluco Deletério aplicado pelos líderes do Escotismo de Gabinete.
Passados esses anos, ao se encerrar o primeiro ano da segunda década do Terceiro Milênio, posso dizer com alegria: lutei a boa luta que aos outros não apetecia porque lhes faltava ver um pouquinho mais à frente. Mal sabiam eles que é etéreo e leve o mundo dos malucos beleza, pois somos criaturas intocáveis, por isso execradas.
Hoje vivo a recompensa do carinho das netas onde sou reconhecido como “Eno Feijão Tavares – Escoteiro realmente Extra Terrestre”.
Boas entradas. A porta está aberta.

1 responder
  1. ENO JOSÉ TAVARES says:

    Sou louco por ti Ilha Encantada. E por que não? Se flutuas impávida entre o Continente Sul Americano e o Maciço da África do Sul. Ouves ainda as canções lamentosas dos escravizados… Mesmo com a modernidade nos transportes emerges hospitaleira e acolhedora, em um Atlântico Sul, que encontra em teu seio o descanso e a carícia natural das terras amáveis… Se cultivada, produzes frutas,trigo,gado, peixes e mel e amor… E tudo mais que alimenta o ser humano. E tua beleza gentil e meiga que é tudo aquilo que nosso forasteiro precisa e que teu nativo vê em mutação perigosa… Então minha amada Ilha, meu berço de corpo e alma…estou agora ancorado em terra firme, de onde te namoro através da beleza do Marzão da Baía Norte… Então sei por que sou louco por ti Ilha Encantada, das bruxas, dos bruxos e das belezas sem par…

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *