Façam o que eu digo, mas…

Publicado em: 12/08/2012

É possível encontrar boas intenções no discurso de todos algozes da humanidade. Não é à toa que São Bernardo de Clairvaix, ao que consta, teria afirmado que “o inferno está cheio de boas intenções”, e muitos afirmam que o inferno é aqui. De fato, algumas “boas intenções” tornam nossa vida um mar de atribulações e tributações, enquanto os “diabinhos”, embora chafurdados na lama, vivem “imaculados” e imunes num paraíso… fiscal. Suas “boas intenções” encobrem a corrupção, o que trazem no íntimo – inclusive nas cuecas – e outras maldades dissimuladas. Elas também integram o acervo do modelo de gestão “façam o que eu digo, mas, não façam o que eu faço”, de quem se coloca acima do discurso, sempre com uma “boa” justificativa para seus desvios de conduta, que, aliás, são sempre em nome de um “bem maior”.

É assim desde que o primeiro troglodita golpeou outro, com sua clava, defendendo um “bem maior”: o seu!

Talvez ele o tenha feito por instinto de sobrevivência. Mas, o que dizer de quem o faz por desejo de poder, sacanagem ou locupletação?

O argumento de que os fins justificam os meios tem servido de desculpa para que alguns repitam as mesmas barbaridades antes atribuídas aos que criticavam. Isso é pior ainda quando parte de quem sempre discursou em defesa da liberdade e democracia!

A impressão que fica é a de que a liberdade que pregam é a de fazerem o que querem impunemente, em nome de “sua história”; e a democracia que defendem é a de um por todos, desde que eles sejam o “um”, intocável e venerado, enquanto quiserem ou forem vivos. Culto à personalidade não combina com democracia!

Qualquer um que se coloque acima do bem e do mal, como liderança eterna e inquestionável, ícone autoproclamado, jamais poderá se considerar um democrata.

A corrupção também nunca será um meio que justifique um bom fim. O fim da corrupção, sim, seria um bom meio para evoluir!

E como acabar com a corrupção, esse cancro que impede o crescimento do Brasil, como nação e potência?

Não será com mais corrupção ou continuando a caracterizar a política como mero balcão de negócios, financiado com dinheiro público; nem mantendo tradições familiares de enriquecimento ilícito; ou, tampouco, com leis dúbias.

Nossas instituições devem ser respeitadas? Sem dúvida! Mas, para isso é preciso que o exemplo venha preferencialmente de dentro, pelo expurgo do que as macula; pelo exercício e blindagem de sua essência constitucional, e não dos que a denigrem.

Se isso não ocorrer, só restarão duas opções: o caos moral ou a desobediência civil, ambas de consequências terríveis, solos férteis para regimes de exceção.

O Brasil, para alcançar de fato a maioridade democrática, precisa de três poderes fortes,  independentes e que, principalmente, sejam a real expressão do que nosso povo tem de melhor.

Lideranças carismáticas, vaidades, corrupção, interesses oligárquicos ou corporativos não podem continuar a conduzir os destinos de nosso país!

O voto resolve isso?

Infelizmente, em razão de leis dúbias, que protegem infratores, penalizando suas vítimas – às vezes toda uma nação! -, não tem sido assim.

No entanto, continuemos a fazer nossos votos para que, um dia, quem nos representa faça o que o povo quer!

Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa / Comportamento) | Caso queira receber gratuitamente os livros digitais: Sobre Almas e Pilhas, Dest’Arte e Claras Visões, basta solicitar pelos e-mails: [email protected] e [email protected] | Conheça as músicas do autor em: br.youtube.com/adilson59 |  (13) 97723538 | Santos – SP

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *