Falar claro é uma arte

Publicado em: 07/09/2013

selo-sintonia-finaOs locutores de rádio, especialmente os mais antigos, são os grandes especialistas em falar bem. Não fosse assim não seriam profissionais de um setor de comunicação onde a fala é tudo. Pronunciar cada palavra sem “mastigar” sílabas e permitir que o ouvinte entenda muito bem e sem esforço o que está sendo dito, é a lição número um dos profissionais do microfone.  Em outras atividades se exige ou pelo menos se espera que pessoas que se comunicam com o público falem bem, falem claro. Nem sempre é assim. Durante muito tempo os padres apresentavam dificuldades de se expressar com clareza nas suas prédicas. A reza era feita em latim, que ninguém entendia. Quando passou a ser feita em português continuou sem entendimento por falta de atenção dos religiosos na arte de  falar bem e claro.

Os fiéis continuaram entendendo mal o que diziam os sacerdotes. Isso mudou muito. Já se ouve nas missas padres falando muito bem e claramente. Outros já cantam música moderna, como profissionais do ramo, com boa voz e pronunciando as palavras com absoluta clareza. Essa clareza é mais do que necessária para que não se entenda mal uma comunicação importante.

Uma historia muito antiga que teria  ocorrido em Guaratuba mostra como uma reza feita por alguém que se expressa “mastigando” ou “picotando” palavras, pode deixar os fieis flutuando no palavrório descontrolado, sem entender, da missa, nem um terço.

Nesse tempo a igreja bicentenária de Guaratuba não tinha padre residente. Estes chegavam somente no período de festas da padroeira da cidade.  Nos dias que antecediam a festa,  os fieis lotavam a pequena igreja para “Rezar o Terço”.

Havia um “puxador de terço”, que comandava a reza. Era um rezador popular, descendente de escravos, que era também, bom benzedor. Tonico Margarida, um especialista em benzer animais para “derrubar” bernes, nas novenas rezava com grande rapidez, declamando cada oração e todos cantos da liturgia, com desenvoltura de fazer inveja a um experiente sacerdote. Falava muito rápido,  misturando silabas e mastigando as palavras de forma que ninguém entendia nada.

Certa ocasião, quando rezava o Padre Nosso , entrou um cachorro e deitou no seu lado no primeiro degrau do altar. Em certo momento, Tonico, disse no meio da reza: “tirem esse cachorro daqui que esta peidando”. Somente uma beata que estava bem próximo ouviu e tratou de tirar o cão que , deitado, dormia e peidava.

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