Fantasmas amigos cantem

Publicado em: 13/05/2012

O cansaço domina a vontade de viver, a ânsia de amar. Apenas lembranças, sonhos, rotina que a vida nos dá e nos rouba, sem que ao menos esperemos. Citações e frases esparsas bailam em seu cérebro. Não se sabe mais os nomes dos autores, mas, obrigatoriamente entrarão neste escrito feito ao léu. Não sabe mais onde colocar aspas, dando os devidos créditos, dividindo aquilo que for dos outros mas que moram dentro de sua mente. Afinal, eles foram os autores desta situação. É o que dá ler tudo o que cai em suas mãos. Fica tudo embaralhado. Um autor diz sim, o outro, diz não. Outro, ainda, coloca dúvidas. São os fantasmas dizendo: cante junto, na hora de dizer adeus… Mas a hora de dizer adeus é a mais triste hora…

Em qualquer língua, em qualquer parte, há a hora triste; na hora de ir embora não é hora de amar, para não sofrer. Um sorriso… Mais que um aceno. Um sorriso… Mais que um carinho. Um sorriso… Mais que uma vida.

Da rua, se lembra. Do céu, também. Da data, não se recorda. Uma pétala… Duas pétalas… Três, quatro, a rosa toda. Uma a uma – das saudades – ficaram ali, chorando tristezas. Uma rosa – inteirinha – desfolhada.

As lembranças de romances antigos deverão ser enterradas aqui, nos espaços de cada linha, nos intervalos de cada palavra.

Os fantasmas amigos, autores de livros que dormiram comigo, a última serenata, numa palavra de despedida, apenas:

Eu quero uma estrela

Em minha madrugada

E descobrir um quase nada

Que perdi quando bebia…

Foram os mortos que levaram minha vida

E transformaram naquilo

Que eu não queria.

Levanto a taça,

O olhar embaça

No momento de saudar.

Saúdo a ti, que como eu

Na vida só perdeu

Em toda mesa de bar.

Ao fim do dia, todo dia,

Em nossa pequenez,

Descobrimos que morremos,

Descobrimos que queremos

Fracassar mais uma vez.

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