Ferramentas digitais para Rádio – parte 1

Publicado em: 05/03/2009

Diante de tantas informações sobre digitalização, web, celulares e novos formatos, os gestores de emissores de rádio no Brasil estão se questionando sobre o que fazer e como fazer para garantirem seus espaços no dial. Por Alvaro Bufarah
Mas, as soluções são mais difíceis do que nos são apresentadas pelas empresas de tecnologia. Recentemente, recebi um email do coordenador de uma rede de emissoras do Ceará, onde na mensagem ele questionava sobre algumas possibilidades que discuti em um dos textos publicados aqui no Rádio Agência. Por isso, decidi detalhar um pouco mais minhas pesquisas sobre esta interação tecnológica com os conteúdos de rádio.

Uma situação mais comum é a mera disponibilização do áudio da emissora na internet. Algumas empresas colocam também ferramentas como blogs e acesso a arquivos de programas ou entrevistas. Mas, de forma geral, estamos longe de utilizarmos todos os recursos disponíveis na web para favorecermos a interação com o ouvinte.

Acredito que a possibilidades de uso da internet sejam complementares às características do meio rádio. Dessa forma, avalio positivamente a utilização das ferramentas e conteúdos dos dois meios na formulação de um novo conceito de “rádio”. Não aquele formato plástico copiado de outros mercados. Mas sim, um formato definido para cada público, elaborado minuciosamente pela emissora para um determinado nicho de mercado.

Insisto em lembrar que estamos em uma fase de mudanças no perfil das audiências dos veículos de comunicação. Estamos diante da segmentação de mercados em públicos que se reunirão em torno de produtos e serviços que estejam alinhados com suas ideologias de vida, gostos e necessidades. Por isso, questões sociais, ambientais e políticas passam a ter um peso diferenciado no dia-a-dia das emissoras de rádio.

Dessa forma, gostaria de compartilhar com vocês algumas sugestões para utilizarmos melhor o espaço virtual das emissoras, sejam elas abertas, segmentadas ou de internet.

Chat: esta ferramenta serve muito bem para os programas ao vivo e suas possibilidades de interação com ouvintes em qualquer parte do planeta. O ponto alto está na participação direta do usuário dando suas opiniões e se expondo diante de outros cidadãos. Porém, é obrigatória a checagem da produção para o acompanhamento dos debates e veiculação dos assuntos pertinentes ao programa. Sem mediação temos um amontoado de opiniões dispersas.

Email: uma das formas mais “antigas” de acesso dos usuários aos profissionais das emissoras. Porém ainda, muito mal utilizado. É comum o envio de emails para as emissoras cuja resposta não vem, ou quando muito, chega um texto pré-pronto ou ainda uma mensagem automática. O ideal é que alguém fique responsável por averiguar a caixa de emails do programa ou da emissora durante todo o dia, mesmo em emissoras com programação 24 horas no ar. Um email perdido pode ser um ouvinte perdido…

Blogs: muitas emissoras estão criando blogs para praticamente todos os membros de suas equipes. Não adianta colocar muitos profissionais na tela do seu site, sem que eles tenham realmente algum conteúdo diferenciado a ser veiculado. Além disso, a adequação da linguagem, do conteúdo e a periodicidade devem atender fielmente o interesse do seu público alvo. Importante lembrar que o blog dentro do site da empresa é uma ferramenta de comunicação coorporativa e, portanto, deve ser visto como um prolongamento da emissora e não apenas um espaço para opiniões pessoais.

News Letter: acredito que ainda seja uma boa ferramenta, mas só vale para públicos mais qualificados e se os conteúdos disponibilizados forem diferenciados e únicos. Para você produzir mais uma mensagem com um monte de “recorta e cola” da internet seu usuário irá preferir ler a informação direto na fonte e não copiada no seu site. Por isso, envie aquilo que será necessário para trazer o usuário a sua página para ver um material feito para ele. Nem mais, nem menos…

SMS: (Short Message Service) é uma possibilidade interessante de comunicação móvel com seu ouvinte tanto para o envio de informações da emissora quanto para o recebimento de dados do usuários. Já temos várias discussões sobre um novo sistema MMS (Multimedia Messaging Service) onde o usuário poderá utilizar mensagens ilimitadas com suporte de áudio, vídeo, textos e imagens. Para as emissoras brasileiras, pode significar uma ferramenta de negócios potente se configurada em parceria com as operadoras de telefonia.

Percebam que estamos discutindo tecnologias já existentes e de baixo custo operacional. Porém, o uso delas de forma organizada e plural não tem sido feito no Brasil. Muito por desconhecimento e muito por teimosia. No próximo texto volto a este tema com um foco diferenciado sobre as redes sociais.

Dica de Livro

Embora estejamos discutindo o impacto das novas tecnologias no rádio, não podemos deixar de aprender com a história desse veículo e das pessoas que o fizeram no Brasil. Por isso, indico o livro “Oduvaldo Vianna – Herança de ódio” Edições Casa de Rui Barbosa, com a coordenação e edição de texto de Laura do Carmo. Na obra você encontrará o roteiro da radionovela produzida em 25 capítulos e veiculada entre dezembro de 1951 e fevereiro de 1952 pela Rádio TUPI de São Paulo. Além disso, há o registro de uma palestra feita por “Vianinha” sobre as técnicas de radionovelas. Este material é um importante documento sobre como “fazer rádio” e sobre como escrever para este veículo. Lembrando que atualmente poucos sabem redigir com qualidade para rádio…

Prof. Alvaro Bufarah, jornalista, especialista em política internacional, mestre e pesquisador sobre rádio. Coordenador da Pós-Graduação em Produção e Gestão Executiva em Rádio e Áudio Digital da FAAP. e-mail: [email protected]

Fonte: www.radioagencia.com.br

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