Final da década de 1960 – 2

Publicado em: 14/09/2013

Música | Ilha de meu som | Os festivais

Márcio Santos

Performance da Stagium 10. Maestro Zezinho ao fundo.

Porém, a continuidade dos próprios festivais possibilitou a simbiose, ou melhor, a síntese dos estilos. Quando Caetano, Gil e os Mutantes, motivados pelo antropofagismo de Oswald de Andrade e idolatria a Carmem Miranda, começaram a usar guitarras em seus arranjos, causaram grande rebuliço nos auditórios do Paramount, provocando a fúria dos puristas de plantão. “Alegria, Alegria”, “Domingo no Parque”, “Caminhante Noturno” traziam uma mistura sonora e poética totalmente diferente de tudo o que já se ouvira.

Enquanto tudo isso acontecia no eixo Rio – São Paulo, a Ilha passava por um marasmo musical apenas quebrado por alguns poucos abnegados que assimilaram um alguma coisa  de cada estilo e, indiferentes ao antagonismo das estrelas nacionais, conviviam harmoniosamente: Rui Neves fazia bossa nova; Zininho compunha sambas e marchinhas deliciosamente interpretadas por Neide Maria; Os Mustangs, Mugnatas, The Saints, A Comunidade, o Brazilian Shakers , Os Binos, Os Aventureiros, Os Estranhos, Os Mitos, e muitos outros faziam rock e jovem guarda. Já as bandas em que Zuvaldo liderava inovavam com  tropicalismo, incluindo até MPB em seus repertórios.

No final dos anos 1960, surgiu o Band Show da Polícia Militar, com uma super estrutura, fazendo com que muitos músicos migrassem para carreira militar apenas para fazer parte da banda, como o baixista Hamilton, o baterista Toicinho, os cantores Sabará e Carlos Rogério e outros. Do Band Show também saíram músicos que se projetaram no cenário catarinense e, com o surgimento de outra bela orquestra sob o comando do maestro Zezinho Ribeiro, o Stagium 10, formaram uma bela concorrência pelas melhores festas do Estado.

Zezinho veio do sul do Estado e começou a se projetar com duas irmãs no Trio Cruz de Malta, no final dos anos 50, desenvolvendo um trabalho musical com extremo profissionalismo, até chegar a formar o Stagium 10, que veio a substituir a orquestra do Clube Doze de Agosto com grande propriedade.

Com o fim do Band Show, o Stagium 10 não teve concorrentes à altura, pois por melhor que fossem, Os Aventureiros de Gabriel e Bernardino, o Escorpião (depois Banda Scorpions) do Orlando ou o Eclipson do Bebeto e seus irmãos, não tinham a estrutura das pioneiras em grandes bailes. A maioria registrava suas canções nos gravadores portáteis da National, da Panasonic ou da Philips.

Mais adiante, surgiram os Zawajos de Zaga e Waltamir, porém foram criadas quando os bailes de clubes sociais já estavam em declínio.

Não posso deixar de citar clubes como o Doze de Agosto, Lira Tênis Clube, Paineiras, Clube 15 de Outubro (no centro), Limoense e Ipiranga (Saco dos Limões), Doze de Setembro e Flamengo (Capoeiras) e Seis de Janeiro (Estreito) como os mais concorridos. Além deles, os periféricos Bandeirantes (Ribeirão da Ilha), Corinthians (Pantanal), 1º de Maio (Barreiros), Avante (Santo Antonio de Lisboa), e outros, onde nossas bandas ditas “de baile” se apresentavam nos finais de semana. Alguns hotéis da cidade também usavam a música “ao vivo”, tirando bons músicos de baile da função para agradar seus clientes. Também as boates, como Sandália de Prata, Gafieira do Laudelino, por exemplo, tinham músicos de primeira linha (outros nem tanto) em suas funções.

Em paralelo, alguns poucos abnegados e idealistas montavam shows, normalmente realizados no Teatro Álvaro de Carvalho, com destaque para dois montados por Luiz Alves da Silva, o popular Culica, que ultrapassaram as fronteiras da Grande Florianópolis, como o “Mugshow” e o “Florianópolis 40 graus” (ou algo parecido), com a presença dos Mugnatas, Deto & Tuca, e mais alguns músicos da época. Os Mustangs também realizaram um dos shows mais marcantes nos finais da década de 1960.

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