Fita Suja

Publicado em: 20/01/2013

Memória | Capítulo 19

E a outra, contada pelo Ernani, fala de uma entrevista feita pelo Borba Filho. O Borba Filho, um misto de comentarista esportivo e técnico de futebol, trabalhava na época na Rádio Guairacá. Certa vez, caminhando pela Rua XV, casualmente ele se encontrou com o diretor de futebol do Coritiba e aproveitou a oportunidade para colher informações sobre o Coxa. E veio a novidade: – Eu estou deixando a direção de futebol do Coritiba.

O assunto interessava e ficou marcada uma entrevista na casa do desportista, um circunspeto cidadão já em idade avançada. Borba Filho voltou à emissora e apanhou um daqueles pesadíssimos gravadores usados antigamente, e foi em busca da entrevista.

A casa do diretor demissionário impressionava pela sua antiquada beleza, onde havia “bordados, bibelôs, louças pintadas à mão” e aqueles móveis pesados de antigamente, tão bonitos e que duravam tanto. Tudo de acordo com uma família tradicional que era aquela.

Após um cafezinho servido pela esposa do dirigente demissionário, Borba Filho resolveu começar a entrevista. Procurou uma tomada, ligou o pesado gravador, aumentou o volume e resolveu examinar a fita para ver se havia algo que devesse preservar.

Nossa! Foi a pior viagem.

Antes que o Borba pudesse desligar o aparelho, o que se ouviu, em alto volume, espalhando-se pela casa, foi uma sequência de palavrões dos mais cabeludos e vergonhosos.

Algum colega gaiato e inconsequente, que havia usado o gravador anteriormente, fizera a brincadeira de mau gosto que tanto constrangimento trouxe ao sisudo Borba Filho. Ele quase morreu de vergonha.

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