Folhas de esperança

Publicado em: 13/10/2013

Cronista: enquanto as folhas das árvores de sua vida forem verdes, muito verdes, cheias de viçosa clorofila, faça-as reviver, escrevendo sobre elas, com tinta bem azul, páginas literárias, poéticas, impregnadas do perfume são da vida bela.

[ Esther Laus Bayer * ]

selo-cronica-sem-vergonhaCronista:

Você esteve maravilhoso em “Folhas Soltas” nesta terça feira. Gostei e fui atenciosa, mui atenciosa. Pela primeira vez que o ouvi e já lhe dei grau 100. Pode crer que serei doravante assídua ouvinte de “Folhas Soltas”. É bem agradável ouvir-se coisas bonitas e alegres, ouvir-se, especialmente, essa mocidade estuante que vibra, que vive engolfada em ares coloridos e perfumados e que sabe sorrir melhor à vida e que tem mais jeito de “botar fogo no cafezal da viúva”.

A vida, Donato, é um aglomerado de folhas que se vão soltando sim, dia-a-dia, da árvore do nosso eu…

Ontem eram folhas azuladas, matizadas, que se desprendiam, e que nós, crianças felizes, as apanhávamos para nelas rabiscar algo também azul ou de vários matizes.

Hoje e amanhã folhas há, bem verdinhas, verdes mesmo, mas que caem também… Por quê? Que pena!

Folhas de outono 2013Caem tão cedo, às vezes, essas folhas, essas folhas de esperança…

No depois de amanhã, aquela e aquela outra que lá está, meio amarelecida, porque se expôs mais às intempéries, tremem nas hastes e soltam-se indiferentes. Depois, e depois, e outra vez depois, as folhas se sucedem e se vão soltando…. caindo… todas, umas após outras… ora mais verdes, ora menos verdes, ora murchas, quase secas, avermelhadas, algumas ainda azuis ou apenas tenuamente azuis… de ciúmes. Enfim, todas vão por terra… um dia.

Não precisa ser outono, não!

Cronista: enquanto as folhas das árvores de sua vida forem verdes, muito verdes, cheias de viçosa clorofila, faça-as reviver, escrevendo sobre elas, com tinta bem azul, páginas literárias, poéticas, impregnadas do perfume são da vida bela.

Não deixe que elas se soltem, à-toa, a esmo e que fiquem secas de tristeza, à beira das estradas… Cultive-as com ternura, com cuidado carinhoso porque folha solta foi solta porque morreu, deixou de ser folha porque deixou de viver para a vida… Viva, pois, que a mocidade é vida. A mocidade não tem horas. Na mocidade é sempre primavera…

Não gosto de ver folhas soltas mortas, sem endereço, na primavera do romantismo cor-de-rosa…

* (Final da década de 1950 em Itajaí/SC , poetisa já consagrada naquela época).

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