Força do Interior

Publicado em: 05/10/2008

Duas cidades do interior o Paraná podem ser consideradas grandes celeiros de profissionais de rádio que brilharam em Curitiba: Rio Negro e Ponta Grossa.


De Rio Negro saíram grandes locutores como Alceu Schoaroski, Acari Juruá, Moacir Amaral, Álvaro Aquino, Edumar Pires, Ovande de Castro, Roberto Bostelmamm, Tônia Maia, Sech Júnior e muitos outros.  De Ponta Grossa surgiram grandes nomes da radiofonia como os irmãos Loris e Arthur de Souza, Osires Nadal, Germano Júnior, Ney Costa, Mario Fanuchi, Fernando Fanuchi, Ronaldo Folador, Nestor Baptista, Carneiro Neto, Luiz Fernando Fedeger e Barros Júnior.

A maioria dos pontagrossenses se destacou nas transmissões esportivas. É o caso de Nestor Baptista que começou como plantão esportivo na PRJ-2 Rádio Clube Pontagrossense em 1965. Dois anos mais tarde chegou a Curitiba onde foi contratado como repórter esportivo na Rádio Guairacá. Inteligente, bem humorado e muito criativo, Nestor Baptista fez uma carreira brilhante que começou no rádio e terminou na televisão.

Fez sucesso como locutor de estúdio na Rádio Cidade de Curitiba, quando participou de um evento que marcou a historia da radiofonia no Paraná, como um dos atos mais arbitrários cometidos pelo governo federal, contra uma emissora de rádio. Por determinação do Ministério das Comunicações a Rádio Cidade teve sua concessão cancelada. Nestor Baptista foi o locutor que leu o último texto na despedida dessa emissoraque por motivos políticos foi tirada do ar durante o governo militar.

No seu tempo de repórter esportivo na Rádio Guairacá, Baptista mostrou em várias ocasiões que um profissional criativo sempre pode encontrar  formas de realizar seu trabalho com o máximo de aproveitamento, e o mínimo de esforço, especialmente quando as condições são adversas. Foi o que aconteceu com Nestor Baptista.

Em 1968 ele foi escalado para fazer a cobertura das atividades do Água Verde, cujo estádio ficava na Vila Guaíra. Nesse tempo o transporte coletivo era precário e a falta de dinheiro dificultava ainda mais a vida do profissional. Para economizar tempo e dinheiro Nestor Baptista, numa segunda-feira foi ao Estádio Orestes Thá, onde o Água Verde treinava, decidido a fazer um estoque de entrevistas para utilizar durante toda a semana, poupando tempo e dinheiro das passagens de ônibus.

Realizou cinco entrevistas com o técnico, Nestor Alves, sobre o jogo do domingo seguinte entre Água Verde e Curitiba. Todos os dias, no programa esportivo, transmitia uma dessas entrevistas. No sábado colocou no ar uma entrevista em que o técnico Nestor Alves discorria sobre as condições de seus jogadores e a forma como o Água Verde devia jogar para enfrentar o poderoso Coritiba. Foi nesse dia que Nestor Baptista quase perdeu o emprego. O técnico Nestor Alves havia deixado a direção técnica do Água Verde na quinta-feira anterior.

Do livro Sintonia Fina – histórias do rádio. Curitiba: Cultura, 2004.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *