Freud explica o fascínio pela ditadura cubana?

Publicado em: 21/05/2014

Sem dúvida é difícil de entender como tantos brasileiros e latino-americanos – a totalidade diz ser de esquerda e boa parte se reconhece como intelectual – quase vão ao orgasmo ao falar de Cuba, a bela fazendola de propriedade dos irmãos Castro. Ninguém, entre esses ferrenhos defensores do regime ali implantado, foge para a ditadura da ilha, nem sonha em morar lá, mas defende o que acontece no país sem se dar conta da esquizofrenia embutida em tal postura.

Aliás, a questão do êxodo é ponto crucial: desde de janeiro de 1959, data em que os Castros se adonaram do território e começaram os fuzilamentos e prisões em massa sem qualquer julgamento civilizado milhares fugiram DA Ilha e quando fugiram PARA A ilha? Mas que diabo de paraíso é esse que ninguém deseja habitar?

Quando se tem 16/17 anos, estágio em que a ignorância faz crer que já sabemos tudo, é comum achar que ditadura é opção contra as mazelas que afrontam o espírito cristão. Nesse estágio de vida só o insensível deixa de apoiar a utopia que aponta para a felicidade geral. Mas, já adulto, após os fatos provarem que a utopia só produz mortes, tortura, prisões é insensatez fechar os olhos, os ouvidos e a boca para a tragédia (intriga a quantia de macaquinhos nessa posição, daí perguntar se Freud tem resposta).

Aos 16/17 anos o mundo é terrível (em Cuba é frescura burguesa o jovem se mostrar insatisfeito), os adultos deixaram a situação degringolar (é politicamente correto dizer degringolar? Não é racismo contra o gringo?) e quem terá coragem de consertar? Assim, munidos da ultrassabedoria que Deus só dá aos adolescentes, vamos à luta.

No caso de Cuba, que agora leva inclusive a grana que falta para nossos portos, a coisa é simples de entender quando a gente cresce, mas repito a lenga-lenga: lá só há um partido político (Partido Comunista Cubano), toda a imprensa é comandada pelo Partido, o Poder Judiciário, os sindicatos, as associações de aposentados, de professores, as associações de jovens estão sob férreo comando do Partido Comunista.

O fantástico é que quando surge uma dúvida (lá isso é raro, dúvida é coisa de burguês decadente) o Departamento de Orientação Revolucionária (DOR) é chamado e em nome do Partido, ou seja, dos Castro, diz como o camarada deve pensa e agir. Assim se estabelece aquele domínio do corpo e da mente do cubano, como descreveu Czeslaw Milosz o polonês ganhador o Nobel de Literatura que sentiu na carne o tacão das “democracias populares”. Nesse contexto, que o cubano seja uma criança grande, sem ter alcançado a emancipação típica que faz de nós cidadãos íntegros, não surpreende, pois sempre é assim nas tiranias. O que nos fez apelar para Sigmund Freud é o fato de um cidadão fora de Cuba se comportar como adolescente imberbe diante do que ocorre na Ilha. O jovem travesso contestador daqui, odiosamente, apoia quem esmaga o jovem travesso e contestador de Cuba?

Nas tiranias são os próprios governos que impedem a emancipação do ser humano, tornando-o robô, dotando-o de uma nano cidadania, mas aqui no Brasil, o que produz a nossa cegueira? O que realmente produz essa esquizofrenia de condenarmos, em dado momento, as ditaduras e, no momento seguinte defendermos a tirania cubana como faz parte expressiva das chamadas esquerdas brasileiras e significativo numero dessa categoria que chamamos de intelectual? Cartas para a redação!

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