Futebol ao vivo e seus problemas

Publicado em: 16/03/2008

No rádio esportivo de São Paulo enfrentei muitas situações para que as transmissões esportivas pudessem ser realizadas dos estádios. Alguns casos passam pela minha retina ainda hoje e por estar vivo para contá-los tenho primeiramente que agradecer a DEUS, nosso pai, dono do universo.
Por Edemar Annuseck  

Primeira viagem
Nos tempos da Jovem Pan vivia mais em aviões do que em terra. Os Campeonatos Brasileiros de Futebol nos levavam de 20 a 30 dias pelo país afora. Isso sem falar em Copa do Mundo. Só na Copa da Itália em 1990 ( eu estava na época dirigindo o esporte da Rádio Tupi) fiquei dois meses na Europa. E tem fatos relacionados às Copas de 74, 78, 82 e 86, Jogos Olímpicos, Copa América, Libertadores, Campeonato Sul-Americano de Futebol, que aos poucos vou contando.
A primeira viagem para acompanhar as equipes de São Paulo no Campeonato Brasileiro foi em 1973. Escala inicial Belém para transmitir a estréia da SE Palmeiras, no dia 25 de Agosto. Viagem no sábado à noite com escala no Rio e vôo até Belém com duração de 3 horas. Domingo pela manhã na porta do Hotel Vanja conheci Leão, Eurico, Luis Pereira, Alfredo, Zéca, Dudu, Ademir da Guia, Edu, Ronaldo, Leivinha, César, Fedato, Raul Marcel, jogadores do famoso time. E Oswaldo Brandão, que era um verdadeiro pai para os jogadores e imprensa. Brandão sabia como tratar a todos. Quando lhe disse que era catarinense ele contou que ficou detido na Praça da Figueira em Florianópolis.
Foi numa revolução quando servia o Exército Nacional. Brandão gostava de um papo e sempre tinha histórias para contar. À tarde o Palmeiras venceria o Clube do Remo, por dois a zero. De nada adiantaram serem rebaixadas em 10 cm às traves do estádio Evandro de Almeida. Era coisa de João Avelino, técnico do Remo, compadre de Oswaldo Brandão. Ele achava que assim o goleiro Dico – 1,68 de altura – teria menos dificuldades. Nossa viagem seguiu na segunda-feira com mais duas horas de vôo no Caravele da Cruzeiro de Belém a Manaus.
Calor de 42 graus na capital amazonense e corrida as lojas da Zona Franca para as compras. Naquela época os jogadores compravam televisores, aparelhos de som, máquinas fotográficas, relógios e roupas. Valia a pena. Eram artigos importados com preços convidativos. No dia 29 o Palmeiras venceria o Rio Negro jogando no estádio Vivaldo Lima, por dois a um.
Os transtornos
Nessas viagens quando se transmitia os jogos ao vivo, enfrentei os mais diferentes problemas. No dia 5 de Setembro de 1973 trinta profissionais da imprensa de São Paulo embarcaram para Florianópolis onde à noite Figueirense e Corinthians empataram em um a um. O vôo foi interrompido no Aeroporto Afonso Pena em São José dos Pinhais. Não havia “teto” no Aeroporto Hercílio Luz. Fomos colocados num ônibus que chegou ao estádio Orlando Scarpelli por volta das 19h45. Para nós do rádio ficou complicado. Não dava nem para passar no Hotel já reservado. Fomos direto para a cabine; graças a DEUS deu tudo certo. No mesmo campeonato voltei a Belém ao lado de Fausto Silva, dia 13 de Outubro para transmitir Paisandu, zero, Corinthians, dois. Chegamos ao hotel às 4 da manhã onde esperamos sentados na calçada até as 8 horas a liberação do apartamento reservado. Os festejos do Círio de Nazaré deixaram os hotéis lotados. Transmitimos o jogo à noite e retornamos ao Aeroporto Val de Cães. Pegamos o “corujão” da Transbrasil às quatro da manhã com escalas em São Luis , Fortaleza, Natal, Recife e Salvador. Lá por volta do meio dia fizemos a conexão para Aracaju onde o Palmeiras jogaria à tarde, na estréia de Edson Cegonha. À noite Oswaldo Brandão preparou uma carangueijada para a imprensa no restaurante do hotel. Segunda-feira, após o almoço embarcamos para o Recife onde ficamos por seis horas a espera de nova conexão. Levantamos vôo no começo da noite e depois de várias escalas chegamos novamente a Belém onde pernoitamos. No dia seguinte viajamos para Manaus.
 
Turbulência
Naqueles tempos os aviões também atrasavam, não tanto quanto hoje já que a demanda era bem menor. Em Teresina em 4 de Fevereiro de 1974 deveríamos embarcar às 4 da manhã depois da vitória do Palmeiras por cinco a zero sobre o Tiradentes, no dia anterior. O avião que levaria a delegação procedia de Fortaleza. Tentou descer em Teresina três vezes, mas pela falta de visibilidade só conseguimos decolar às 12h30. No começo tudo era festa. Mas quando você começa a viajar, viajar, viajar, acaba enfrentando situações muitas vezes desconfortáveis. O mau tempo assusta mesmo; a turbulência nos vôos aparece quando não se espera. Em 1975 fui a Belo Horizonte para um jogo do Corinthians. Chegando a capital mineira não havia “teto” para o Aeroporto da Pampulha e o vôo da Vasp retornou para São Paulo. Avião no chão eis que um operador técnico da Rádio Gazeta se levanta e pede para deixar a aeronave. Ninguém conseguiu contornar a situação, tanto que ele abandonou a profissão no dia seguinte e foi trabalhar de fotógrafo num jornal da capital. São incontáveis as viagens em que passei grandes sustos. Aliás, dizem os mais viajados que quanto mais se viaja de avião mais medo se sente.
Coisas de momento
Ví colegas jurarem de pés juntos que nunca mais embarcariam em aviões, mas continuaram voando. Presenciei companheiros entrando no avião e adormecer antes de se iniciar o vôo. E presenciei outros tomando grandes doses de bebidas alcoólicas para suportar a viagem.
Os contratempos para as transmissões – ao vivo – são grandes, mas, compensam na medida em que você narra, comenta e reporta o que está presenciando in loco.
Os problemas que enfrentei foram de momento. Coisas passageiras, mas, que ficam retidas na mente. Quando retornávamos a Congonhas ou Cumbica, eu comentava. “Graças a DEUS , mais uma”, no que meu grande amigo Randal Juliano (já falecido) retrucava. Nada disso meu filho, é “menos uma”. Quem sabe nas próximas edições conto mais sobre situações que só fazendo rádio ao vivo, se enfrenta. Ótima semana.

Visite – www.edemarannuseck.blogspot.com
 


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