José Predebon diverte-se com a aritmética, a gramática e o português

Publicado em: 31/01/2012

Publicitário de longo curso e gabarito internacional, criativo por natureza, o escritor e professor emérito em criatividade e marketing, José Predebon, continua se divertindo com o malabarismo caótico do idioma que consagrou Camões. Colaborador de carteirinha que já foi do Caros Ouvintes, agora, por puro diletantismo – e claro, em homenagem a nossa amizade fraterna – ele, vez por outra, desliga-se momentaneamente dos ares da paulicéia ciclópica (ou seria ciclônica?) e suavemente nos brinda com seus deliciosos quinhentinos – pensamentos escritos com exatos 500 caracteres. Leia, conte, reconte, medite e me diga depois de recorrer ao dicionário: com quantos paus se faz uma cangalha?

POR INCRÍVEL QUE PAREÇA. Não tenho vontade de fumar há 15 anos, hoje gosto cada vez mais da minha esposa e do meu semelhante e também aumentou minha tolerância para filhos, parentes e amigos. Além disso, diminuíram meus momentos de saudade e melancolia. Outra: tem aumentado minha curiosidade por tudo, e aquela vontade de saber mais até sobre coisas de tribos Mongóis – mas em compensação tem diminuído minha idéia de já saber muito. Aumentou minha falta de dinheiro mas diminuiu minha preocupação com isso. Por incrível que pareça, sinto-me assim,  bem, apesar de já ter vivido mais de oitenta anos.

BEBA SEM MODERAÇÃO. Repare como o velho fica feliz quando está  bêbado. Poderia viver sempre feliz, de porre permanente? Problemas de fígado à parte, vou recomendar a bebida que tenho usado. Chama-se Hoje e tem um sabor indescritível, pois nunca se repete. Ontem era uma, Hoje é outra. Bebe-se Hoje sem misturas e desbragadamente, gargalo na vertical, como quem joga o antigo esporte do “Fundo Branco”. Por que esse excesso, pouco condizente com a idade? Para fugir da experiência, senso que teima em nos levar de volta às lembranças e expectativas, que nunca nos deixam saborear toda a magia do Hoje.

EPIFANIAS. Olhamos sempre, mas nem sempre enxergamos. As coisas passam por nós que as classificamos e rotulamos, mas geralmente as arquivamos para apreciar depois. E as fotos guardadas ficam esquecidas porque fomos tirar outras. Um dia, porém, as circunstâncias nos cutucam, puxam, e pomos os óculos da poesia. Abracadabra, a grande revelação sai do invisível! O mundo muda! Um sorriso, uma cena cotidiana, tudo colorido com a realidade e, como quem vive maravilhosa ficção, a percebemos, porque ligamos os olhos ao coração. Como fazem as crianças, na idade em que a vida toda é um só entusiasmo.

Contato: http://www.predebon.com.br/

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