Gente de rádio – 003

Publicado em: 07/03/2006

Mulher não é que nem amigo “que se guarda do lado esquerdo do peito”. Mulher é essência divina que alimenta os nossos anseios, que nutre nossas carências e vivifica os momentos do nosso viver.

E a mulher no rádio? Ah! Meu Senhor são muito mais do que isso. Elas nos alegram nos encantam e nos fazem sonhar. São as nossas Divas, divinas, maravilhosas, eternas belezas, torrentes de paixões, emoções diferentes.

Este descarregar de adjetivos, embora justo, mais do que tal, é merecido. Estamos, afinal, na semana Internacional da Mulher. E aqui vem o primeiro protesto: mulher não tem dia, semana, mês ou ano. Mulher é. Ponto. Ou como diria o comendador Bráulio: “Você sabe quando é que é quando?” Então, não me venhas com essas conjuminâncias.

 

Antes que perguntes: “Mas, afinal a que vistes mancebo?”. Me apreço e respondo: o solavanco do convite para a homenagem que será prestada a Neide Maria – que está publicado nesta matéria ou em outra nesta edição – me fez lembrar das mulheres do rádio em Florianópolis. Mulheres locutoras, radioatrizes, comediantes e narradoras. Ou ainda cantoras, atrizes ou dubladoras. Pois, pasmem os increus e as incréias, de todas as tivemos.

 

 

Maria Alice Barreto, de atriz para radioatriz e locutora começa na Guarujá, passa pela Diário da Manhã, vai para o Rio e Janeiro, conquista a Rádio Nacional e se consagra como dubladora fazendo as vozes de personagens nos filmes de Walt Disney que até hoje soam pelos cinemas e TVs de todos os quadrantes deste Brasil.

 

 

Lygia Santos, uma das primeiras locutoras do rádio local começou na Guarujá e depois trabalhou até o final da década de 1970 na Diário da Manhã. Voz marcante e inconfundível é lembrada até hoje.

 

 

Neide Maria Rosa, ou Neide Mariarrosa como foi rebatizada pelo Estanislaw Ponte Preta, quando estava no Rio, tem um perfil profissional que dificilmente será esquecido: começou cantando em programas infantis da Rádio Guarujá onde passou a atuar como profissional. No início gostava de cantar músicas do repertório de Dalva de Oliveira. Quando se transferiu para a Rádio Diário da Manhã, em meados da década de 1950 destacou-se como cantora de música popular brasileira romântica, locutora e radioatriz. Interpretava papéis de criança falando fininho, fininho, como interpretava papéis de doces donzelas enamoradas ou ainda com voz grave e tremida representando megeras em novelas. Também se destacou fazendo o papel de mocinha analfabeta e coquete nos programas Alma Sertaneja, de Aldo Silva. Mas o que impressionava mesmo é que às vezes, num mesmo capitulo de novela Neide fazia até quatro papéis de diferentes personagens e ainda atuava como locutora lendo os comerciais de apresentação da novela.

 

 

Nívea Nunes é a irmã mais nova de Ciro, Cora e Eli (Lilica) e a mais velha de Iran Nunes. Tem lugar de destaque entre as estrelas pioneiras do rádio da Capital. Iniciou fazendo locução na Rádio Guarujá e passou a integrar a primeira equipe da Rádio Diário da Manhã. Aí foi locutora comercial, apresentadora de programas de auditório e comediante. Depois transferiu-se para a Rádio Jornal A Verdade onde viveu com os demais integrantes da equipe o grande sonho de Manoel de Menezes, o Nego Pedreira, como a gente se tratava – fazer uma rádio para bater a Guarujá a Diário da Manhã. No final, não foi bem assim. Mas, andou perto.

 

 

Alda Jacintho, irmã do também radialista e professor de inglês Atos Jacintho, começou de brincadeira fazendo pontas em capítulos de novela na Rádio Guarujá. Foi logo descoberta e revelada como uma das mais belas vozes do nosso rádio. Radioatriz competente vivia seus personagens de maneira tão intensa que se destacava independente da relevância dos papeis interpretados. Trabalhou na Rádio Diário da Manhã até o encerramento das atividades radioteatrais de emissora no início da década de 1970.

 

Como disse no início destas poucas e mal traçadas linhas, mulher não deve ter dia no calendário. Mulher é – todos os dias e sempre. Sem mulher a gente não vive. Pode-se até perambular por aí como disse o poeta Francisco Otaviano: “Quem passou pela vida em branca nuvem e em plácido repouso adormeceu; quem não sentiu o frio da desgraça, quem passou pela vida e não sofreu, foi espectro de homem, não foi homem, só passou pela vida, não viveu”.

 

Na próxima semana tem mais mulher no pedaço. Marque na agenda.

 

 


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1 responder
  1. Ediane Tudes says:

    Nossa muito interessante, todas estas linhas acima serviram de inspiração pra mim com relação a carreira que eu decidi seguir, é muito bom saber que houve e ainda há mulheres assim extremamente talentosas e de vozes maravilhosas no nosso País, sou muito grata por também ter sido contemplada por Deus com uma voz digamos assim agradavél, aos 16 anos de idade me sinto totalmente decidida a seguir este caminho, pois em um futuro não tão distante sonho em me tornar uma Locutora… e quem sabe fazer história representando o nosso País (Brasil)…

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