Gente de Rádio – 002

Publicado em: 01/03/2006

A cobertura dos esportes e as transmissões esportivas foram, desde o início, uma das programações mais fortes do rádio em Florianópolis. Aliás, essas atividades estiveram presentes desde a instalação do sistema de alto-falantes Guarujá, nos altos* da Confeitaria Chiquinho, como se dizia na época.
Por Antunes Severo

Pois foi no serviço de alto-falantes Guarujá que a programação esportiva teve os seus pioneiros. O catarina Ivo Serrão Vieira – que erroneamente tem sido identificado como gaúcho por alguns autores – que residiu em Porto Alegre, trouxe de lá as bases de uma programação eclética e popular, onde o esporte não poderia faltar.
Entre os sócios de Serrão Vieira está o jovem Flávio Ferrari que disfarçado pelo pseudônimo “Marte”, inicia a programação esportiva que logo a seguir passa a contar com a colaboração de Luiz Osnildo Martinelli, Edgard Bonassis da Silva e Acy Cabral Teive. Aliás, esses três mais Dib Cherem e Ciro Marques Nunes formam a primeira linha dos esportes no rádio da Capital durante os primeiros 13 anos de liderança exclusiva da Rádio Guarujá.
A partir do final de 1954 surgem sucessivamente as rádios Anita Garibaldi, Diário da Manhã e Jornal A Verdade que passam a disputar a audiência. Foi o período de ouro do radiojornalismo esportivo em Santa Catarina onde despontaram nomes como Alfredo Silva, Humberto Fernandes Mendonça, Lauro Soncini, Murilo José, Fernando Linhares da Silva, Salomão Ribas Júnior, João Ari Dutra, Walter Souza e Souza Júnior, dentre muitos outros.
É desse período, já pintando os anos 60, o flagrante que destacamos neste retalho destinado a reverenciar a memória da gente do nosso rádio.


Com palavras de Fernando Linhares da Silva: No auditório da Rádio Guarujá, estão os famosos e vibrantes integrantes da equipe de esportes. Deve ser lá pela década de 60. Da esquerda para a direita;  Luiz Gonzaga Lamego, que fazia o plantão nas jornadas esportivas: Fernando Linhares da Silva, narrador e apresentador de programas de esportes; Luiz Osnildo Martinelli, redator e comentarista; Alfredo Silva, narrador;  Maury Dalgrande Borges, especialista em esporte amador como redator; José Nazareno coelho, o inconfundível diretor da equipe e Rui Tiburcio Lobo, comentarista de remo. Foi uma época excelente.

Precaução
Como o assunto é esporte, vamos encerrar com uma historinha contada pelo Fernando no livro Pasto do Bode – uma tradição inesquecível.
“O ex-jogador Adão, que militou no Figueirense, Bocaiúva e Avaí, atuando sempre com muita desenvoltura, é que contou a historinha a seguir. Informou Adão que o Figueirense tinha uma partida marcada para a cidade de Itajaí e que a delegação resolveu viajar diretamente para Camboriú, onde seria servido o almoço. Ocorreu que durante a viagem, houve um problema com o ônibus e os jogadores só chegaram tarde para a refeição.
– Almoço já acabou, não dá mais pra servir, informou o dono do restaurante. Em Substituição, vou mandar servir alguns frios para a rapaziada.
O zagueiro Trilha, que escutava o diálogo atentamente, não deixou por menos:
– Pra mim, não. Estou gripado, vai ser difícil jogar e não posso aceitar nada frio”.
*História do Rádio em Santa Catarina. Ricardo Medeiros e Lúcia Helena Vieira. Florianópolis: Editora Insular, 1999.
 


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