Gente do céu

Publicado em: 01/04/2012

Alguém aí se lembra de Michael Landon? Pelo nome talvez seja difícil recordar, mas ele ficou mundialmente conhecido por interpretar o personagem “Little Joe”, na inesquecível série “Bonanza”. Quando ela terminou, no início dos anos de 1970, ele deu uma sumida da telinha e pouco apareceu na telona, até que, em meados da mesma década, produziu e estrelou a série “Os Pioneiros”. Ambientada na segunda metade do século XIX, no interior dos EUA, ela mostrava a saga de uma família simples, formada por casal e três filhas, que deixara a cidade grande para construir uma nova vida, numa fazenda.

Ao longo de várias temporadas, vimos sua prole crescer, passando por todas as fases da infância e adolescência. A mais velha era tímida e contida; a do meio era a arteira e questionadora, enquanto a mais nova era de uma fragilidade e pureza notáveis. Landon, muitas vezes, funcionava como coadjuvante, deixando que os outros brilhassem… E como brilhavam!

O roteiro era de uma singeleza belíssima! As principais características da família eram: diálogo, franqueza e carinho, coisa muito rara nas séries atuais. As estórias eram simples, mas repletas de mensagens sutis.

Estórias simples? Nem tanto, pois temas complexos eram abordados: honestidade, mentira, racismo, violência contra mulheres e crianças, especulação, fanatismo, oportunismo político e religioso…

Havia muita sensibilidade e coragem nos roteiros e interpretações.

Parecia que a produção tinha outras intenções, além das comerciais. Mas o tempo passou e alguns personagens foram saindo, em busca dos próprios projetos. A série foi se esgotando, até que, já nos anos de 1980, terminou.

Pouco tempo depois, Landon estreou e estrelou um novo seriado, aqui chamado de “O homem que veio do céu”. Nele, ele era um anjo, cuja função era ajudar a resolver problemas dos humanos e preparar pessoas para a “passagem” para a vida eterna. Sua tarefa, no entanto, não era das mais fáceis, pois volta e meia precisava enfrentar o “coisa ruim”, na disputa por almas.

Algo admirável na série era que seu personagem tinha uma postura ecumênica. Contracenava com personagens de todas as religiões, inclusive padres, pastores, rabinos, etc., sem ser dogmático. Isso seria perfeitamente natural num anjo, mas difícil de encontrar num ser humano. Em alguns episódios chegou a questionar seu próprio papel angelical, em face do imponderável da vida e dos desígnios divinos!

Independentemente disso, sua interpretação era contida, talvez por suas limitações dramáticas, quem sabe por acreditar que a mensagem que passava era mais importante do que seu estrelato. Ele não era importante. Importante era o que ele fazia!

Contam que quando diagnosticaram sua doença grave, com pouco tempo de vida, Landon sorriu e disse que era preciso, então, aproveitá-lo bem, pois ainda havia muito a ser feito!

Michael Landon, a exemplo de Betinho, Madre Tereza, Irmã Dulce, Zilda Arns e muitos outros anônimos de várias religiões, e até mesmo os que se dizem ateus, mostram que é possível colocar Deus no dia-a-dia naturalmente, sem que isso seja um fardo ou um martírio. Acreditaram e acreditam que estar de bem com Deus é muito mais que ser rico e poderoso, como alguns falsos profetas querem fazer crer, em busca de lucro. Suas mensagens, sem alarde, egoísmo, neurose ou fanatismo são muito mais audíveis e eficazes do que qualquer louvor barulhento, farisaico ou alienante.

Eles não foram nem são perfeitos. Afinal, ninguém é perfeito, mesmo que repita isso mil vezes diante do espelho. Aliás, não existe a perfeição, só um eterno aperfeiçoar, um infinito lapidar!
Alguns foram bem sucedidos materialmente, o que não é pecado. Outros abraçaram suas vocações em prol do semelhante. Alegraram-se com o sucesso dos que ajudaram!

Estes últimos dificilmente estarão nas primeiras páginas das grandes publicações financeiras. Talvez nunca tenham suas biografias lidas por executivos. Dificilmente serão considerados exemplos a serem seguidos, pois, na lógica do mercado, qualquer investimento ou tem que gerar juros e dividendos, ou tem que ser dedutível do IR. Seus méritos, no entanto, não são avaliados nesta escala mesquinha de valores.

Cristo, certa vez, afirmou que o seu jugo é suave! Benditos, então, os que fazem de seu trabalho, qualquer que seja, um instrumento de paz e amor ao próximo e, assim, cultivam e disseminam essa leveza!

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