Governo, ricos & Bolsa Família?

Publicado em: 12/06/2013

Peguei o papo andando, mas deu para saber que o jovem militante tem orgulho do programa Bolsa Família: nós estamos tirando o povo da miséria, disse. (Nós quem cara pálida?) Óbvio, a seguir veio o surrado discurso contra os capitalistas exploradores (50 anos depois o papo é o mesmo!).

Fico feliz ao ver o cara que transita pelos escaninhos perturbadores da adolescência, submetido à tirania dos hormônios, dos demônios e dos tabus, se interessando pela politica (que, num passado não distante, era definida como a arte fazer o bem comum).

Porém, cabe aqui uma pergunta: a geração deste início de terceiro milênio tem o direito de ser babaca como foi parte da minha dos anos de 1960 apesar de muita coisa positiva ter sobrado da fermentação provocada?

Hoje há informações suficientes para não se cair tão facilmente nas armadilhas montadas pelos chamados intelectuais orgânicos, de saber envernizado a serviço de teses que nunca dão certo, mas que ao se transformarem em utopias arrastam jovens incautos. Só tento dizer que cair no canto da sereia pode ser mais trágico do que foi. Lá atrás, pela cegueira preguiçosa não poucos se submeteram à baboseira dos intelectuais orgânicos (isso não absolve ninguém, diga-se com todas as letras) e passaram a incensar assassinos como Stálin e Mao e admirar homofóbicos como Guevara.

Vamos por parte, como diz o esquartejador à sua vitima. Governo algum produz dinheiro, ou seja, produz riqueza. Muito menos governo dessa esquerda manca típica da América Latina e do Caribe, como o Século 20 provou. Governo só arrecada (em regra arrecada bastante) e depois só distribui (em regra distribui mal, desperdiçando horrores) a riqueza, o dinheiro produzido pelo suor e pela criatividade dos cidadãos. E não estou criticando a existência do tributo, do meu ponto de vista um marco civilizatório. Só reforço o aspecto universal: mesmo governo eficiente só faz caridade com o bolso dos outros quando diz que fez algo; e governo ineficiente gera a infelicidade geral.

(Fico pasmo como, em pleno terceiro milênios, os governantes, que deveriam ser somente funcionários públicos a serviço da sociedade, acabam nos tratando como gado ao se postarem como salvadores da Pátria – e ninguém escapa, basta ver as bobagens que o “direitista” Obama passou a fazer).

Quanto ao Bolsa Família (pode ser Pro-Uni, ou SUS, ou Plano Safra ou qualquer iniciativa que envolva dinheiro dos impostos), programa de méritos (nada justifica morrer de fome hoje em dia) embora efeitos colaterais indesejáveis, é preciso recordar que ele começou (com outros nomes) com Cristovam Buarque e Fernando Henrique Cardoso. Não poucos dizem que a primeira dama Ruth Cardoso teve papel especial na consolidação desse processo de transferência de renda (quem lembra de algo produtivo em favor da sociedade feito pela primeira dama que a sucedeu?) sob duras criticas de uma ala da chamada esquerda que está no poder – inclusive criticas dura do Lula.

Por ultimo, a mais terrível realidade para quem odeia as “elites” (as “elites” são esses capitalistas exploradores?): são as nossas “elites” que garantem toda a grana que o governo destina ao Bolsa Família. Somente quem gera montanhas de imposto, ou seja, os graúdos, os que possuem esses grandes empreendimentos econômicos (as pequenas empresas são quase isentas) banca o Bolsa. No popular, são os capitalistas exploradores (como se dizia na colônia italiana da infância e foi repetido pelo jovem militante), que fazem chegar a grana do Bolsa Família que beneficia milhões de brasileiros… Puxa, que chato, isso, né?

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