Grandes Astros do Sul

Publicado em: 11/11/2007

Quando Gilberto Martinho deixou sua bucólica Cangicas (hoje distrito de Hercílio Luz, Araranguá) para galgar os degraus da fama na TV Tupi (depois Rede Globo), era apenas mais um a tentar a sorte e apostar em seu talento no Rio de Janeiro.
Por Agilmar Machado

Foi o mais autêntico “coronelaço” nos papéis centrais das novelas e dos palcos brasileiros, depois sucedido por Lima Duarte e, hoje, por Osmar Prado. Gilberto Martinho, lutou contra um câncer que o acabou vencendo recentemente. Assim como Gilberto, o sul de Santa Catarina foi um manancial de valores artísticos que precisam ser devidamente registrados para a história (hoje tão frágil de informações corretas e dados precisos).
Dos reais pesquisadores e historiadores conscientes, poucos restam ainda ativos e capazes de resgatar, com lisura e clareza necessárias, os fatos passados.
Infelizmente, “cada um faz sua própria história”, enfatizando seus próprios “méritos”, relegando ao esquecimento e à omissão aquilo que todos desejariam conhecer do passado mais longínquo. Com esse intróito sobre o que penso, creio necessário e urgente que haja uma conscientização junto aos que nos sucederão nas narrativas de fatos passados; cremos ser extremamente necessário um resgate fiel da história, sem egoísmos, sem “pavonismos” abomináveis que somente deturpam e gravam versões errôneas e incompletas, tidas como fiéis pelos menos avisados.
Digo tudo isso para iniciar uma série de trabalhos relacionados ao meio artístico do sul catarinense, em cujo mérito estará a realidade dos fatos passados, num resgate sem sofismas ou omissões. No último dia 29 de outubro, através do mano César e reportando-me depois á seção “Obituário” de um conceituado diário editado no Estado, tomei conhecimento, com imensa tristeza, da morte de um dos mais aplaudidos músicos sulinos: Abílio Vasconcelos. Ele guardava, com extremo orgulho, um precioso acervo dos velhos tempos em que, com seu bandolim ou cavaquinho (pois era exímio em ambos), compunha o Regional R-6 da Rádio Eldorado dos finais dos anos 40 e inícios dos anos 50.
Mostrou-me uma foto histórica desse memorável conjunto, onde perfilavam: Santos Flores (arranjador e violonista), ele (Abílio) no bandolim, Aristides Madeira (segundo violão), Zequinha (bateria), Santiago (pandeiro e agea), Edu Réus (até hoje com o seu conjunto “Os Araganos” atuando em rádios e palcos do Rio Grande do Sul, no acordeon) e nada menos que Altair Castelan, histórico nome artístico que atuou por longo período na Rádio Diário da Manhã, de Florianópolis, no piano e acordeon, algumas vezes substituído por seu tio Albino, na Eldorado de então. Puro talento! Pois a triste nota relacionada à morte de Abílio Vasconcelos (77) registrou somente o derradeiro período de sua participação artística, então já no alvorecer da década dos anos 70, em uma outra rádio de Criciúma.
Infelizmente, e mais uma vez, não foi procurada a informação completa e independente, que tem nome, residência e telefone: Mário Beloli, a quem reverenciamos como acurado e zeloso pesquisador e historiador. Atualmente, além dele, não conheço outro nome credenciado para rememorar, com seriedade e precisão necessárias, qualquer fase anterior aos anos 50 da história da cidade de Criciúma, com imprescindível fidelidade.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *