Grandes radialistas… Ah! O radioteatro!

Publicado em: 12/07/2009

O Diretor do Departamento (11 novelas diárias, ao vivo, sem cores, sem gravações; gravador somente um Gelloso com minifitas e que mais parecia brinquedinho de criança), era o hoje famoso na Rede Globo, Ary Fontoura, estrela eterna do Rádio e Televisão do Brasil.

E eu ali, com os meus 19 anos, com pequena experiência em Paraguaçu Paulista, Paranavaí e Astorga, convivendo com a maior equipe de radioteatro jamais vista no Rádio, competindo com a grande PRB-2, Rádio Clube Paranaense.

Na Colombo brilhavam: José Wanderley Dias, Israel Carlos Correa, Ludovico Mikosz, Claudete Baroni, Claudia Mara, Ayrton Goulart, Hamilton Correa, Carlos Nogueira, Alcides Vasconcellos, Fritz Bassfeld, Wernier Araújo, José Vicente Gonçalves, Vinicius Coelho, Leal de Souza, Renato Mazânek, Morais Fernandes, Pedro Washington de Almeida, Abel Scuissiato, Jair Brito, Maria Olívia, Zazá Maia, Jane Martins, Maurício Távora, Mauro Rafael, Irene Morais, Terezinha Mazarotto, Colbert Luiz Elias, Antônio “Edmundo” Soares, Antônio Fernando Zageski, Dulce Soares, Ivo Sant’Ana, Foguinho, Ariel, Sinval Martins, Didier Deslandes, Nilda Ferreira, Hélio Antônio, Agni Guimarães, João Mário, Lillian Simone, Vera Kelly, José Maria, Milton Teixeira, Roberto Menguini, Paulo Santos, Élcio José, César Navarro, Alexandre Lobo e mais uns quarenta do departamento de radioteatro e tantos, tantos outros meu Deus!

Que tanta saudade plantaram na gente, que nos ensinaram, incentivaram e desapareceram das nossas vidas quando nós já havíamos aprendido até a agradecer o bem que nos fizeram.

Parece que foi ontem, porque a experiência conseguida não é nada comparada à incerteza da próxima atração que bem poderá ser dentro de trinta segundos.
Foram eles, homens-faróis dentro do nosso aprendizado. Foram eles que, continuadamente, ultrapassando a própria experiência, anteciparam os resultados e abriram novos horizontes àqueles que vieram depois.

Lembranças das novelas feitas ao vivo e das gafes normais, costumeiras as quais, em muitas ocasiões passavam desapercebidas dos ouvintes, porque ninguém dizia “perdão, ouvintes…”. Se o fizessem, aí sim, é que chamariam a atenção para o erro. Iam em frente e pouca gente percebia. A não ser “as mais cabeludas”.
Wernier Araújo: Cena de rádio-teatro, na Colombo. Deserto bravo do Saara. Partiram cedo do Cairo, no dia anterior.

– Precisamos voltar imediatamente ao cais…

(O calor era tanto que o radioator da emissora da Caravela e do Ronald Stresser, estava vendo navios…).

Israel Carlos Correa: Era o narrador do programa Cinemascope, na Colombo, criação de Hamilton Correa. Em certa altura teria de dizer: E ela, debruçada na sacada, via o seu amor partir para terras distantes. Mas disse:

– E ela, debruçada na calçada…

Irene Morais: Colombo – Curitiba. A excelente radioatriz tinha que dizer, num certo trecho da novela: Estou cansada como uma caminhante… Mas disse:

– Estou cansada como uma caminhonete…

Alda Jacintho – Florianópolis. Diário da Manhã era a emissora das novelas. Alda, uma das melhores no elenco. Mas, como todos os astros, também fazia das suas.
Cena de suicídio. O contra-regra havia preparado o material para o efeito do baque do corpo dentro de um poço: um tijolo pendurado num cordão. Logo abaixo, um barril onde deveria ter uma boa porção de água. Deveria, porque o contra-regra esqueceu-se desse pequeno detalhe. Era o Manoel Bruno, o Nezinho.

E a Alda, com toda a sua competência:

– Vou suicidar-me…

E se atirou. O tijolo desceu e, ao invés do barulho característico de um corpo caindo no líquido, houve uma barulheira que mais parecia o fim do mundo. Imagine o barulho do tijolo batendo na lata e o microfone em cima. Alda Jacinto, muito viva, quis salvar a situação e, ao “bater no fundo do poço”, disse:

– Ai…! Caí de mau jeito…!

Alda, ainda. A excelente rádioatriz teria que dizer ao entrar em sua casa, a um pretinho que fazia pequenos serviços:

– Vamos, sacode o corpo, seu porco!

Mas saiu assim:

– Vamos, sacode o porco, seu corpo!

Televisão também está aqui!

Nem poderia faltar. A televisão hoje, com toda a farafernália que existe pra ajudar, dá mais mancada do que o Rádio de ontem que era ao vivo, na raça mesmo!
Globo – 12h30min  – Dia 24.10.2005

Levi Dietrich, Presidente da Sociedade Rural de Cascavel na Globo:

– Teremos uma reunião para uma definição definitiva!

8 respostas
  1. Newton Deslandes says:

    Sou Newton Deslandes, filho de Didier Deslandes, trabalhei com meu pai na Tv Paraná canal 6- fui produtor do Ponto 6 , Mini – Chance e Clube do Curumim e me orgulho muito. Hoje tenho uma sobrinha jornalista ( neta do Didier ) que trabalha na Rádio Difusora como Repórte Policial no programa do Gilberto Ribeiro / Jornal da Manhã ¨seu nome é Fernanda Deslandes

  2. José da Silva (Jotade Silva) says:

    Querido Newton Deslandes: Sou o “zé dos Vondas” o guitarrista da banda Os Vondas, que acompanhava os calouros mirins em seu programa Mini-Chance e você não pode aquilatar minha alegria quando me deparo com suas palavras aqui neste espaço. Quanta saudade de suas “broncas” nos ensaios de sábado na José Loureiro. Gostaria de contata-lo para relembrar-mos juntos aqueles maravilhosos dias. Meu E mail é: [email protected]. Um grande abraço meu amigo Newton.

  3. Newton C Braga says:

    Um pequeno reparo: os gravadores da Colombo, usados para gravar nossos programas de radioteatro, eram da marca Webster e Wollensak, mantidos rigorosamente operacionais pelo bom Didier de Souza (era assim que o tratávamos), chefe do Departamento Técnico das Rádios Colombo e Ouro Verde. E na lista dows operadores de som, vc mencionou o Aderbal “Foguinho”, mas esqueceu do Alceu Honório, que além disso, era um ótimo radioator e contraregra.
    Havia dois diretores de radioteatro: Ary Fontoura (quase todos) e Hamilton Correia (uma novela vespertina e o Teatro de Filmes).
    Mas gostei muito de sua página. Trouxe grandes lembranças.
    Forte abraço.

  4. Newton C Braga says:

    Caro Antunes, percebi que faltaram alguns nomes importantes na lista. As excelentes atrizes e pessoas Odelair Rodrigues e Lala Schneider, o grande ator José Basso; o locutor de voz magnifíca, Mário Bittencourt, que fazia dupla com Dulce Soares (uma pessoa maravilhosa, educada, sensível) na locução comercial e nos noticiários. E o melhor sonoplasta que conheci: Rolf Mário (ranzinza, mas fantástico na sonoplastia). Trabalhei na Colombo em 1960 apenas. Minhas lembranças são da época, evidentemente. Havia outro grande radioator, Mário (infelizmente, não me lembro do sobrenome). Lembro-me do Antônio Carlos Bettega, no programa Frichmanscope. Um fato interessante: havia uma novela, a tarde, na Colombo que era gravada e posteriormente enviada para a Rádio Diário da Manhá, de Florianópolis, outra emissora – como a Colombo – da rede Associadas, da Tupi, de Assis Chateaubriand. Uma gafe, numa novela vespertina: num determinado momento o ator, espiando pela janela o rival com sua amada na praça defronte, devia dizer “O que vejo! Os dois se beijando!” Mas o que saiu foi: “O que vejo! Os bois se beijando!”

  5. Antunes Severo says:

    Caro Newton,
    Suas lembranças são muito bem recebidas por nós.
    Quanto as citações de nomes de colegas daquela época, sempre faltará alguém. Por mais que se pesquise sempre há alguém que conheceu mais gente que poderia estar na matéria.
    O bem seria para nós pesquisadores que sempre pudéssemos contar com colaboradores como você.
    Abraço fraterno.

  6. Antunes Severo says:

    Bondade sua Donato!
    Mas que a iniciativa tem tudo para ser um sucesso isso é verdade.
    Como ponto de partida é preciso encontrar quem possa investir no projeto e na captação de recursos das verbas que existem em muitas fontes.
    Pena que muito rodeadas de exigências legais que nem sempre são cumpridas e muito menos fiscalizadas.
    Quanto a rádio, realmente é muito fácil criar – o difícil é sustentar.

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