HB 127: Blumenau encontra apoio e incentivo

Publicado em: 04/04/2012

A carta do Dr. Blumenau era longa. Na verdade, poder-se-ia dizer que se tratava de um relatório. Minucioso, circunspeto, atento a todos os detalhes que pudessem contribuir para a história, fazia um completo apanhado de todos os fatos que margearam os primeiros momentos da efetiva instalação da colônia. Continuava ele, depois de ter dito que a sua única salvação teria sido a lembrança de sua querida mãe frente ao pensamento, macabro, de suicídio: “quem nunca passou por transes assim, não pode nem mesmo imaginar o que seja chegar, em três ou quatro meses, à beira do túmulo, em vez de ao brilho da glória e da felicidade que se esperava, modesta embora”.

 

“Eu não tinha, porém, tempo a perder. Escrevi a alguns amigos no Rio, contando a minha desgraçada situação. Veio resposta pedindo o meu comparecimento à Corte. Acertei, apressadamente, alguns negócios, mandei proceder a serviços urgentes nas roças, entreguei a direção da colônia ao meu sobrinho e fui ao Rio. O céu teve misericórdia de mim. Achei amigos que conseguiram fazer voltar a confiança em mim mesmo e na humanidade. Um amigo generoso emprestou-me dinheiro. O Imperador e vários senhores de elevada posição mostraram-se interessados pela minha posição, conhecendo que eu era um homem honesto e que os meus projetos não visavam lucros. Foi-me prometido um adiantamento de dez contos de réis para continuar os meus trabalhos”.

A seguir: soluções à vista, não faltaram, porém, invejosos e concorrentes para armar intrigas.

Fonte: O Doutor Blumenau, edição da Fundação Casa Dr. Blumenau, 1978, de José Ferreira da Silva, págs. 53 e 54.

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