HB 131: O aspecto do meu jardim agora é muito triste

Publicado em: 18/05/2012

Novas perdas surgiram para aumentar os prejuízos do colonizador. Conta ele em sua carta que mandou vir caixas de Santa Catarina, nas quais arranjou orquídeas e vasos de madeira, entregando tudo aos cuidados de um amigo. Algum tempo depois recebeu a nota de 20$000 ou 30$000 a pagar por conta dessas encomendas e o aviso de que haviam seguido para a colônia. Só muito tempo depois descobriu as caixas na Barra do Rio (no Itajaí-mirim) e todo o conteúdo completamente seco, morto. Para quem analisa agora, de cabeça fria, tais acontecimentos, só há duas conclusões: ou o Dr. Blumenau não havia aprendido a lição na primeira perda, ou continuava acreditando que as coisas funcionassem no Brasil com a eficiência a que estava acostumado na Europa.

Sua carta prossegue: “O aspecto do meu jardim agora é muito triste. Logo que cheguei, preparei um terreno próprio, cerquei-o bem e fiz as sementeiras. Muitas plantas vingaram bem, o que me causou viva alegria. O meu amigo Pabst se encarregou de tomar conta dele e os rapazes, companheiros do meu sobrinho, prometeram depois continuar o serviços de Pabst. Empreendi a viagem com confiança. De volta, encontrei um deserto. Pabst não estava mais e nem alguns dos rapazes. Os que haviam ficado, gostavam mais de caçar e dormir. No jardim não havia sequer mais caminho; era tudo capoeira e as formigas haviam devorado as plantas raras e de estimação. O que ficara, não era nem mesmo a vigésima quinta parte do que existiu”.

“Dinheiro perdido e desgostos. “Recomecei, pois, os trabalhos, para por novamente em ordem o jardim e o pomar. Nisso passou o ano de 1853. Com exceção dos jornaleiros, ninguém estava contente, todos de orelhas caídas, murchas. Alguns tinham comprado terras e gasto muito dinheiro com trabalhadores cujo jornal era tão alto que não deixava margem a qualquer lucro”. Nota explicativa: jornaleiros eram os assalariados e jornal era o salário pago aos trabalhadores.

No próximo capítulo: Dr. Blumenau confessa que levavam vida de cachorro.

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