HB 62: as águas subiram mais de 15 m acima do nível normal

Publicado em: 10/09/2010

A enchente de setembro de 1880 foi a primeira de grandes proporções sofrida pela colônia, agora município. O abrigo nas igrejas católica e protestante foi a salvação para muita gente que perdeu suas casas arrastadas pelas águas. Continua o relato de um jornal da época, iniciado no capítulo anterior: “as crianças, tiritando de frio, chorando aos gritos, punham naquele cenário tristíssimo uma nota de desespero. Algumas famílias conseguiram salvar pouca coisa de seus haveres; outras ficaram apenas com a roupa do corpo. Os objetos que iam sendo retirados das águas eram amontoados na maior desordem.

A matéria, farta em detalhes, dá a dimensão do drama que foi aquela enchente. Diz: “os moços fizeram fogo, improvisando uma cozinha. Em volta, toda a enorme extensão parecia um mar. Medonhas correntes de água arrastaram portas, janelas, móveis e animais. O Progresso e outras embarcações venciam, com dificuldades, o ímpeto das águas, orientando-se pelas copas emergentes dos altos coqueiros. No dia vinte e seis de setembro as águas começaram a baixar, aparecendo, então, as cumeeiras dos prédios. E na proporção da vazante iam-se constatando e avaliando os prejuízos sofridos”.

Assim o jornal finaliza aquela matéria: “aqui uma casa completamente demolida; ali, dezenas cobertas de lama negra; os objetos e utensílios de uso doméstico completamente inutilizados. Onze foi o número de pessoas que pereceram no grande desastre”. De acordo com os registros do Professor José Ferreira da Silva, as águas subiram a quinze metros e trinta centímetros acima do nível normal. Os governos Imperial e da Província resolveram prorrogar a instalação do município até que fosse ultimada a reparação dos danos causados por essa grande catástrofe. Precisavam estar em ordem os edifícios públicos e as estradas, bem como as propriedades particulares. Sem isso, não havia clima para os festejos da instalação do município.

No próximo capítulo: a solidariedade foi a grande tônica para superação da catástrofe.

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