HB 84: 60 mil deixam a Alemanha por ano

Publicado em: 13/04/2011

O relatório do jovem Blumenau afirmava que deixavam a Alemanha, em média, sessenta mil compatriotas por ano. Informava, ainda, que no estrangeiro viviam aproximadamente cinco milhões de alemães, de acordo com o recenseamento de mil oitocentos e quarenta e quatro. Só nos Estados Unidos da América do Norte concentravam-se quatro milhões e oitocentos mil. Para ser bem completo e o mais informativo possível, o relatório não se limitava aos dados do ano em que fora elaborado. Buscava um estudo mais distante, do período entre os anos de mil oitocentos e quinze a mil oitocentos e vinte, com números verdadeiramente preocupantes.

De acordo com essas informações, entre mil oitocentos e quinze e mil oitocentos e vinte teriam emigrado, no mínimo, três milhões e quinhentas mil pessoas. Isso representava o dobro da população dos reinos da Saxônia, de Württemberg ou de Hannover; bem mais que a população da Dinamarca e tanto quanto a de Portugal. E o que era mais contundente: não havia como obstar tal movimento emigratório. Mesmo com medidas as mais drásticas, não haveria como reprimir essa tendência. Recomendava, entretanto, o cerceamento às atividades dos aliciadores e mercadores de almas de estrangeiros que incitavam para a emigração desorientada. 

Ia além as recomendações do jovem Blumenau. Chamava a atenção de quem de direito para que se evitasse, de toda forma, estimular a vontade de viajar. Nos casos em que isso fosse absolutamente impossível, que houvesse orientação para que, no estrangeiro, conservassem a nacionalidade, os costumes e a língua. Seria de deplorar, diz Blumenau, que até aqui a opinião pública tivesse mantido uma atitude de tanta indiferença e, mais ainda, que nenhum Estado alemão tenha tentado concentrar os emigrantes em uma colônia livre onde houvesse as condições mencionadas.
 
No próximo capítulo: alguns anos depois, o próprio Blumenau buscava gente na Alemanha. Teria se desdito?

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