História de Blumenau – 44

Publicado em: 14/05/2010

As linhas coloniais se aprofundavam mais e mais no interior. Em fins de mil oitocentos e sessenta e cinco já se estendiam, pelas margens do Itajaí-açu, até a sede do atual município de Indaial. Avançavam, também, em direção a Rio dos Cedros, seguindo o Rio Benedito, em distância já bastante significativa. Em Rio do Testo fora construída uma capela protestante na qual, uma vez por mês, o Pastor Oswaldo Hesse comandava ofício religioso. Nesse mesmo ano foram aprovadas as plantas e respectivos orçamentos, bem como adquirido algum material para a construção das igrejas católica e protestante na sede da colônia. Elas seriam edificadas com somas doadas pessoalmente pelo Imperador Pedro II.

Um fato que mereceu destaque nas anotações históricas da colônia, ocorrido nesse mesmo ano de 1865, foi a partida de voluntários para a Guerra do Paraguai. Contingente organizado na colônia, em cujos habitantes já era presente o sentimento de amor à nova pátria, foi visível a seriedade e a convicção com que partiam para defender o Brasil contra a megalomania de Francisco Solano Lopez. O comando ficava com o Capitão von Gilsa, que era professor público da colônia, secundado pelo Tenente Odebrecht e pelos alferes von Seckendorf e Sametzki, além do cirurgião-alferes Friedenreich. Partiram para o campo de luta sessenta e sete colonos, alguns dos quais morreram combatendo.

Este fato poderia fazer corar aos mentores da discriminação e perseguição movida contra esta comunidade germânica por ocasião da Segunda Grande Guerra. Tais mentalidades, movidas pelo preconceito de que a fundação de Blumenau seria a origem de um quisto racial no Vale do Itajaí, impuseram toda sorte de sofrimento e humilhação a uma gente que só queria o privilégio de viver em paz e produzir com eficiência dentro do mais legítimo sentimento de brasilidade. Ao defenderem o Brasil na Guerra do Paraguai, inscritos que foram como voluntários – sem obrigação, portanto, de se exporem e arriscarem suas vidas – os colonos deixaram registro histórico capaz de neutralizar as brutalidades de que suas famílias vieram a ser vítimas quase setenta anos mais tarde.

No próximo capítulo: Decresce o número de imigrantes para Blumenau.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *