Histórias de pescador

Publicado em: 31/03/2011

Dizem que todo pescador é mentiroso, mas há alguns – geralmente diletantes, que saem para molhar a isca nos fins de semana – que exageram. É o caso de um conhecido, notório inventor de histórias inverossímeis, que se diz autor de uma façanha memorável. Na Barra da Lagoa, numa tarde de ondas fortes, fisgou algo pesado, difícil de tirar da água. Puxou, suou, fez uma força incomum, e viu emergir do oceano nada menos que um surfista! Ouvido de alguém dado a inventar coisas do arco da velha, no maior descaramento, o episódio ficou mais engraçado, porque contado com ares de verdade inconteste, com a dramaticidade que o caso requer, mesclada com o sorriso maroto recomendado pelo desfecho da aventura.

Outro sujeito, também viajandão, jura que tirou do mar de Jurerê, numa pescaria bem intencionada, um mergulhador! Usava um anzol grande, desses de trazer garoupas de boa envergadura, que enroscou na roupa emborrachada do esportista. Não se sabe qual dos dois ficou mais atarantado – e constrangido – com o inusitado da situação…

E o que dizer de outro indivíduo – este habituado a nada falar além da verdade – que afirma ter pego três peixes de uma vez só, com anzóis sem isca, num afluente do Itajaí-Açu? Comigo já aconteceu de puxar dois xereletes na baía de Porto Belo, porque o dono do barco que alugamos apoitou em cima de um cardume.
Agora, num riozinho de nada, com peixinhos que se podem contar nos dedos, trazer uma penca assim é demais. Nosso amigo faz cara de sério, assegura que tudo aconteceu mesmo e arrisca uma explicação para o fenômeno: os lambaris “faziam uma suruba” quando foram surpreendidos. Pode?

Isso faz lembrar da história que circulou na internet sobre o mergulhador esturricado que os americanos encontraram numa floresta. A versão mais crível era de que ele tinha sido içado do mar por um desses aviões que apagam incêndios florestais, comuns nos meses quentes do hemisfério norte.

A internet, aliás, é um canal e tanto para fatos e notícias que beiram o nonsense. Assim como nascem, essas histórias são desmentidas logo depois – não sem antes impressionar um bocado de gente. Na rede pululam versões sobre como tal compositor criou tal música movido por este ou aquele drama familiar, a perda de um filho, uma desilusão amorosa. Coisas inconsistentes sobre Cartola, Djavan e outros, que um belo dia viraram pó.

No caso dos pescadores, parece ser mais fácil criar do que rechaçar uma mentira. Afinal, são poucas testemunhas para tantas performances homéricas.

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