Histórias do Rádio Heróico

Publicado em: 14/12/2008

O livro de Rubens Wagner está na terceira edição e acaba de fazer parte do acervo do Instituto Caros Ouvintes. Trata-se de exemplar único, autografado e oferecido pelo autor a uma amiga comum que faz a doação permitindo-nos partilhá-lo com você leitor-ouvinte. (*)

E para que você faça uma apreciação inicial destacamos a crônica intitulada “Lá pelos idos de 1948…”:

Quando me proponho fazer a historicidade do rádio heróico através de fatos acontecidos vão lá mais de meio século, gosto de hilarizar os episódios acontecidos. Pretendo, assim, tornar a leitura mais amena, ao mesmo tempo em que faço um pouco de história, mostrando as trajetórias de lutas técnicas vividos pelo Rádio de antigamente, até chegar a esse veículo moderno e ágil de hoje.

Ao mesmo tempo de assim proceder, tomo o cuidado de só contar o absolutamente verdadeiro – (ressalvas à parte) – para que os moços de hoje, alguns militando neste maravilhoso veículo de comunicação sintam, intimamente, quantas lutas foram travadas desde sua implantação 80 anos atrás (a edição é de 2003).
Puxa vida! Estou falando de 80 anos, e, parece que foi ontem, ainda me vejo de “fatiota”, camisa e gravata, subindo os degraus da Difusora que ficava na Rua Siqueira Campos, perto do Mercado Público, em Porto Alegre:

Foi meu primeiro emprego, onde permaneci por três anos, antes de me transferir para a Rádio Gaúcha, que naquele tempo era na Rua 7 de setembro. Saudosismo, estou ficando velho, ou já sou mesmo um velho saudosista?

No Departamento de Notícias da Gaúcha eu tinha uma pequena mesa, com telefone e fazia ali, uma vez por semana, o plantão. E, recordando esses plantões, verifico quanto o rádio, como veículo de comunicação incomparável, prestava um serviço ao público de inestimado valor.
Batia o telefone e era um ouvinte que desejava saber qual farmácia que estava de plantão, e La ia eu consultar a lista que o Sindicato das Farmácias nos remetia.

Trimmm! Trimmm!

– Rádio Gaúcha, as ordens.

– Aqui é um ouvinte de Gravataí, mas estou com medo de chuva forte. Pode me informar a previsão do tempo?

Eu continuava informando o que o Instituto Coussirat de Araújo mandava, mas, como naquelas priscas eras o Coussirat de Araújo sem os satélites de hoje errava muito, fazia uma ressalva:

– A previsão é de bom tempo, Mas, sabe como é, sempre é bom olhar o céu, lá pelas bandas do sul.

Evitava, com a ressalva, que no outro dia o ouvinte ligasse novamente para contar que no meio do caminho caiu um toró de alagar a cidade de Santo Antônio da Patrulha, e botava a culpa na rádio.

Como dizia o meu saudoso pai, Octávio: “Seguro morreu de velho e a prudência foi ao enterro”.

Um dia o telefone chamou, atendi, e era uma ouvinte da Vila jardim, que naquele tempo tinha uma Avenida, sem calçamento, e um esboço de ruas a serem abertas. Era um projeto, não o bairro moderno e populoso de hoje. Telefone naque3le tempo só um, porque vivíamos sob o domínio da americana Light and Power, que nos explorou por muitas décadas. Mas, voltando ao assunto, a senhoria queria que nós entrássemos em contato com mos bombeiros para que os moradores de sua rua fossem socorridos: um incêndio nas matas próximas estava consumindo tudo.

Prontifiquei-me a entrar em contato com os Bombeiros, mas sabedor que o oficial encarregado do plantão pediria mais informações sobre o local do incêndio, até para dar mais agilidade ao caminhão que levaria os Soldados do Fogo, pedi mais detalhes:

– Senhora, por favor, me dê o nome da rua.

Ela deu.

Como era uma viela desconhecida, e querendo que ela informasse o nome de uma artéria com referência, indaguei:

– Como é que eles chegam aí?

Restou um silêncio de 10 a 15 segundos, enquanto ela penava, e depois, a dúvida da ouvinte:

– Ué, eles não têm , mais aqueles caminhões vermelhos?

(*) O Instituto Caros Ouvintes agradece a doação do livro à Vera Lúcia Correia da Silva

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