Humberto Fernandes Mendonça, bom humor e seresta

Publicado em: 08/10/2012

Antunes Severo

O radialista Humberto Fernandes Mendonça nasceu em Itajaí (SC), em 28 de julho de 1932 e morreu em Florianópolis (SC), em 5 de agosto de 1978. Perto dele era difícil ficar-se sério ou alheio às suas tiradas de humor sadio e divertido. Sem palhaçada, mas com muito jeito Humberto sempre encontrava o momento oportuno para incluir uma piada, anedota ou chiste. E isso ele fazia sem estardalhaço ou forçar a barra. Porque, acima de tudo, foi sempre um gentleman e um romântico capaz de conciliar a vibração de uma jornada esportiva com a apresentação de um programa diário de poesias, sonetos e muita música romântica ou participar de uma serenata cantando ao som de um violão ao luar. Humberto, mesmo com uma intensa atividade profissional e seu espírito boêmio sempre foi muito chegado à família. Terceiro de 10 irmãos, o filho do seu Hermes e de dona Anália, casou aos 28 anos com Vera Maria de Oliveira com quem tem quatro filhos: Denise, Francisco Ricardo, Mylene e Suzana.

No trabalho, independente dos momentos de maior tensão sempre tinha uma tirada de efeito ou piada para descontrair os colegas. Quando era apresentado a um novo companheiro, de imediato puxava conversa, não raro começando com uma pitada de humor que ligava com algo do que estavam falando, fosse assunto pessoal ou profissional. Em 15 minutos de prosa estavam “amigos de infância”.

Em casa, com a família, não era diferente. O difícil era encontrá-lo reclamando ou brigando com alguma das estripulias que os filhos faziam. Nem a esposa era perdoada nas conversas dos assuntos domésticos. Aliás, essa característica vinha de berço. A filha Mylene que pesquisa a história de vida do pai para escrever um livro lembra: “Humberto era um menino alegre, engraçado, gostava muito de contar piadas e sentia um prazer especial em fazer brincadeiras para ‘irritar’ as irmãs mais velhas”.

Mylene conta que “Ele desde criança demonstrava interesse por locução quando transformava um cabo de vassoura, uma colher ou um socador de feijão em microfone para suas brincadeiras, narrando gols criados em sua imaginação”.

Assim, ao concluir a oitava série do primeiro grau, logo no ano seguinte Humberto se aproxima da Rádio Araranguá e conquista a vaga de locutor esportivo, aos 17 anos de idade.

Na opinião do araranguaense e também radialista e escritor Agilmar Machado “ele foi um prodígio em sua especialidade, responsável pela introdução das transmissões esportivas na então jovem ZYT-3, Rádio Araranguá”. Dois anos depois, em 1951, como integrante da equipe de esportes da Rádio Tubá, de Tubarão, lembra Agilmar, “já gozava de imensa reputação e mostrava seu privilegiado cabedal de excelente profissional que sempre foi”.

Humberto nasceu em Itajaí, mas sua família logo a seguir mudou-se para Araranguá onde começa a carreira de radialista. Depois, num crescendo que ampliava sua popularidade e conceito profissional atuou sucessivamente em emissoras de Tubarão, Criciúma, Florianópolis, Itajaí, São Paulo, Joinville e novamente Florianópolis.

Em 1953 vem para Florianópolis para cumprir o serviço militar no 63o BI – Batalhão de Infantaria do Exército. No ano seguinte, concluído o serviço militar obrigatório, volta à vida profissional como locutor esportivo da Rádio Guarujá.

Em janeiro de 1955, transfere-se para a recém-inaugurada Rádio Diário da Manhã, na capital catarinense, como chefe da equipe esportiva. Nessa emissora Humberto revela-se ao criar, produzir e apresentar o programa “Saudades do Passado” levado ao ar de segunda a sexta-feira a partir das quatro da tarde quando consegue conciliar a locução suave de um programa romântico com a vibração do narrador de esportes.

Em 1961, depois de um ano de atuação na Rádio Difusora de Itajaí, Humberto retorna a Florianópolis e volta a trabalhar na Rádio Diário da Manhã, onde permanece até 1965 quando vai para a Rádio Bandeirantes de São Paulo integrando a equipe do “Scratch do Rádio”, na época a mais famosa do país.

Por onde passa, Humberto marca presença pelo carinho, dedicação e companheirismo, além de uma performance profissional invejável. Quando de sua saída da Rádio Bandeirantes para comandar a equipe de esportes da Rádio Cultura de Joinville, Fiori Gigliotti seu chefe e amigo faz emocionado depoimento gravado onde a certa altura destaca:

Humberto é um locutor estupendo, um amigo extraordinário, uma criatura exemplar”. E mais adiante: “Talvez nunca tenhamos tido na Bandeirantes alguém tão exemplar como esse extraordinário moço que se chama Humberto Mendonça”. Na mesma oportunidade, Alexandre Santos, outro colega da Bandeirantes, declara: “Agora você alcança um de seus objetivos na sua carreira profissional, aquele de voltar triunfante para sua terra natal.

Em 1973, Humberto retorna ao rádio de Florianópolis e à assessoria de comunicação social do governo do Estado de Santa Catarina, onde permanece até o seu falecimento em cinco de agosto de 1978.

Em 1981, através de um projeto de lei apresentado à Câmara Municipal pelos vereadores Almir Saturnino de Brito e Waldemar da Silva Filho (Caruso), Humberto Mendonça passa a ser nome de Rua na Lagoa da Conceição, em Florianópolis.

Referências

Depoimento de Agilmar Machado no Site Caros Ouvintes, acessado em 17 de abril de 2012: http://www.carosouvintes.org.br/blog/?p=4446

Depoimento de Mylene de Oliveira Mendonça, filha de Humberto Mendonça, ao jornalista Antunes Severo, em 13 de abril de 2012.

Comentário de Fiori Gigliotti sobre Humberto Mendonça no Site Caros Ouvintes, acessado em 13 de abril de 2012: http://www.carosouvintes.org.br/blog/?s=fiori+humberto

Comentário de Alexandre Santos sobre Humberto Mendonça no Site Caros Ouvintes, acessado em 13 de abril de 2012.

Enciclopédia do Rádio Esportivo Brasileiro | Página 292

2 respostas
  1. Denise Mendonça says:

    Eu agradeço pela matéria que retrata muito bem meu pai Humberto, mais conhecido pelos amigos como ¨”gato”(pelos olhos verdes).Agradeço a todos que participaram e deram seus depoimentos para este texto.Muito obrigada,de coração.Abraço a todos.

  2. ALDO MIKAELLI says:

    É MEUS AMIGOS,DIARIAMENTE ERA EU FREGUES DE CADERNO DO SAUDADES DO PASSADO,ONDE CONSEGUI ALGUMAS CORRESPONDENTES, UMA DE FERNANDES PINHEIRO, UMA DE PARAÍSO DO NORTE E UMA DA CIDADE PAULISTA DE GÁLIA, CAPITAL DA SEDA. HUMBERTO FERNANDES MENDONÇA FEZ PARTE DA MINHA MOCIDADE NUMA ÉPOCA DE OURO DA DIÁRIO.TAMBÉM ALDO SILVA COM UMA VALSA E UMA SAUDADE NAS TARDES DE SÁBADO ENCHIAM NOSSOS CORAÇÕES DE SAUDADE. BONS TEMPOS QUE NÃO VOLTAM MAIS, E TALVEZ SEGUINDO ESSA ESCOLA FAÇO RÁDIO HÁ 50 ANOS,AOS DOMINGOS, DAS 8 AS 10 HRS COM MUSICA POPULAR BRASILEIRA E ROMANTICA ATRAVEZ O http://WWW.CENTRALDOPARANA.COM.BR-AINDA BEM QUE EXISTE O ANTUNES SEVERO PARA PROPORCIONAR ESSES MOMENTOS DE NOSTALGIA.

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