Humor?

A primeira crônica de 2020 vem de algumas reflexões e observações; creio que os amigos e amigas da coluna já pensaram no teor e no contexto da palavra: humor.

O meu querido amigo Michaelis trabalha como dicionário Prático da Língua Portuguesa, portanto, indispensável à boa comunicação, fica sempre ao meu lado e atende aos meus pedidos e me faz parecer menos ignorante aos olhos do leitor. Ele tem registrado que humor é definido como: Disposição de ânimo, apreciar ou expressar coisas cômicas, engraçadas ou divertidas etc.

Faz mais de 25 anos que li uma frase interessante: “Humor é poder rir da própria desgraça”. Estou na dúvida se a frase estava num dos livros de Leo Buscaglia ou Eduardo Mascarenhas. Sempre achei interessante e acredito ter entendido o que o autor quis dizer. No entanto, há desgraças e outras desgraças. Rir de coisas que nos acontecem, equívocos, mancadas, gafes, enfim, não levar tudo tão a sério, não nos considerar bons demais para não rirmos junto aos amigos ou sozinhos, com certeza é uma virtude. O problema é quando certas desgraças são levadas na brincadeira. E que “desgraças” não deveriam ser simplesmente engraçadas?

Estudos literários nos mostram o princípio dos gêneros, entre eles, a tragédia e a comédia. A comédia lá no seu início tinha por objetivo trazer à tona uma crítica através do humor à instituições e certas pessoas ou grupos. Alguns grupos não só não recebiam por suas apresentações como também precisavam sair rápido do local onde se apresentavam porque irritavam, afinal de contas, expunham claramente falhas levando ao ridículo os criticados. E hoje, o que é chamado de humor nos programas de comédia? Esse humor ou comédia atinge ou pelo menos têm um objetivo? Piadas sobre maridos traídos e políticos corruptos parecem dominar os chamados – programas humorísticos. Com todo o respeito, não atribuindo um duro julgamento, mas não entendo como alguém consegue se divertir com esse chamado – humor. Vamos além?

Qual pessoa traída realmente se diverte com a traição, o adultério? Quem chega num bar ou num churrasco é dá risadas quando alguns amigos gritam: “E aí corno, como vão as coisas?”, quando a pessoa em questão foi realmente traída? E quanto aos políticos? Outro dia falei aqui em casa que estou com vontade de escrever um conto sobre um psicopata que só mata políticos. Mas que razão poderia ter alguém para chegar a esse ponto? O que levaria uma pessoa aparentemente normal, como qualquer psicopata, a praticar tal atrocidade? Ora, não estou brincando também com coisa séria? Talvez sim ou talvez não, tudo iria depender do contexto, do real objetivo. Por que então muitos crimes como dinheiro escondido na cueca e muitos outros desvios de verbas públicas (eufemismo para roubo) são tratados como se tivessem graça? Qual o real objetivo? Alertar e instruir a sociedade? Instigá-la a buscar seus direitos e apontar caminhos para isso? Ou simplesmente fazer rir. Faz poucos anos que escrevi uma crônica com o tema: Currículo de ladrão; quantos conseguem interpretar as desgraças que nos acontecem?

Em – Currículo de ladrão, a senhora assaltada chega em casa e conta com emoção e alegria sobre o assalto que sofrera. Acalma o marido e filhos e ressalta as boas qualidades do assaltante por quem desenvolveu certo afeto. Ela foi conquistada por palavras doces e educadas, além de algumas ações que a convenceram. Pretendo escrever uma mais forte, será sobre um estupro. Obviamente não será o horrível crime do estupro o ponto chave, mas a analogia implícita. Se a população entendesse 20% de – sociedade o quanto entende de futebol as coisas seriam diferentes, inclusive nos meios religiosos, tanto dos líderes aproveitadores quanto dos que procuram na “fé” sua “muleta” e suposto sucesso. Aproveitando a última citação: “A pessoa ingênua acredita em qualquer palavra…”, e: “Mesmo no riso o coração talvez sinta dor”. Provérbios 14:15 e 14:13. Bíblia.

O senso de humor torna nossos dias menos difíceis e mais agradáveis. O bom humor faz bem à saúde. Só não devemos achar graça e confundir o humor com atitudes que merecem duro julgamento e punição. Não sermos bobos que riem enquanto nos fazem de tolos, e isso ocorre em vários segmentos da sociedade. Dá o que pensar: O que é mesmo humor?

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