Ilha do Mel, a voz do mar

Publicado em: 11/11/2007

O trabalho de pesquisa na web, a cada dia está mais estimulante. Semana passada deparei com matéria publicada na edição de 10/11/1984 do jornal O Estado do Paraná que fala de José Jamur Júnior e seu sonho. Jamur, enfim havia conseguido montar sua emissora de rádio. Pedi que ele falasse sobre seu sonho dourado.
Por Antunes Severo

AS – Jamur, o que é feito da Voz do Mar, afinal foi assim que você batizou a emissora, não?
JJ – Este foi o slogan que inventei no início das operações da primeira FM de Paranaguá. Foi um sonho que terminou em pesadelo. Durante muito tempo acalentei o sonho de ter minha própria rádio. Consegui com apoio do governador José Richa, deputados e um grande número de amigos.
AS – Você sempre foi perfeccionista, foi muito complicado montar a sua própria rádio?
JJ – Trabalhei duro e queimei neurônios montando equipe, dando aulas de locução, redação para rádio, operação de equipamentos e fazendo pesquisa para conhecer o gosto popular com relação à música e rádio de um modo geral.
AS – E qual foi o impacto inicial? A reação dos ouvintes foi imediata?
JJ – A entrada da Ilha do Mel no ar foi um dos maiores sucessos na cidade. Nos primeiros meses a pesquisa já indicava cerca de 80% de audiência.
AS – Soube que você desistiu do negócio. O que foi que aconteceu?
JJ – Durante o primeiro ano de sucesso nas transmissões descobri que muitas vezes é melhor andar só do mal acompanhado. A sociedade não prosperou por absoluta falta de compatibilidade no estilo de trabalhar e nos padrões éticos dos quais nunca abri mão em toda a minha vida. Fiquei com duas alternativas: comprar a parte dos sócios ou vender a minha. Com falta de recursos optei pela segunda. Eles não tinham dinheiro. Peguei dois carros velhos – um deles quebrado e abandonado numa oficina – e uns trocados. Vendi minha parte por uma merreca e acho que ganhei. Ganhei em tranqüilidade por me ver livre de companhias que já me faziam mal pelo comportamento dúbio e nada ético. Acordei de um sonho suado e cansado.
AS – Arrependido?
JJ – Não. Nunca. Aprendi lições, aprendi a conhecer melhor as pessoas e aprendi que mais vale uma vida construída sobre pilares de valores morais incontestáveis do que todo o patrimônio material que você possa conquistar.
Jamur Júnior, como gosta de ser chamado, desde a semana passada está de mala e cuia instalado em Balneário de Camboriú. Ele, a esposa e o cãozinho de estimação passam a enriquecer ainda mais o astral do maior e mais importante balneário desta Santa e Bela Catarina.
Da redação:
Nascido em Guaratuba há 67 anos, Jamur Júnior é um profissional identificado com o que de mais importante tem acontecido na rádio e televisão do Paraná e Santa Catarina nos últimos 50 anos. E embora tenha tido sua primeira experiência como locutor na Rádio Palmeira, em 1952 – “quando ainda usava calças curtas” – Jamur fixa em sua atuação nos microfones da ZYC-5, Difusora de Paranaguá, em fins de 1954, o seu real início de carreira.
Na metade dos anos 50 Jamur subiu a Serra e se fixou em Curitiba – aqui passando por quase todos os prefixos e sendo um dos primeiros apresentadores da ainda experimental TV Paranaense, quando a mesma tinha como estúdio uma kitnete no último andar do edifício Tijucas e suas imagens não passavam de riscos e borrões nos vídeos dos poucos aparelhos existentes na cidade.
Assim como a televisão evoluiu, Jamur Júnior, em termos profissionais, marcou sua vida por um profissionalismo irrepreensível: locutor, apresentador, disck-jockey e, sobretudo, homem de visão jornalística, [contribuiu] para a dignificação da profissão tanto no rádio como na televisão.
Jamur Júnior no final da década de 1950 participou da primeira equipe montada por Manoel de Menezes quando inaugurou a Rádio Jornal A Verdade. Posteriormente integrou a equipe de radiojornalismo da Rádio Diário da Manhã.
 


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