Influência da radionovela

Publicado em: 17/12/2004

Estudo de Ricardo Medeiros aponta a importância da programação de rádio nos anos 60
FÁBIO BIANCHINI
Edição nº 6818 – 14/12/04

O jornalista Ricardo Medeiros apresentou no último dia 6 de outubro, na França e na UFSC, em teleconferência, sua tese de doutorado Radionovela e Publicidade: memória da recepção em Florianópolis nos anos 1960.

O estudo pesquisou a influência das radionovelas de 40 anos atrás nos hábitos da população da Capital e deve render livro a ser lançado até o fim do ano que vem.

As radionovelas começaram a ser produzidas em Florianópolis em 1949, pela Rádio Guarujá, inaugurada em 1943 e a primeira a operar em Santa Catarina. A Diário da Manhã, atual CBN Diário, surgiu em 1955 e tornou-se a mais influente da cidade nos anos 60, quando atraiu vários profissionais, anunciantes e ouvintes. Os folhetins eletrônicos, como eram chamados, da emissora, eram apresentados em cinco horários: dois pela manhã, dois à tarde e um à noite. Nelas atuavam nomes como Zininho, Neide Mariarrosa e o autor Gustavo Neves Filho.

Nos anos 70, a chegada da televisão diminuiu o poder e a influência desses radiodramas, que não são mais produzidos ou transmitidos pelas principais emissoras de Florianópolis, mas ainda existem em várias cidades do Brasil e do mundo. A pesquisa de Medeiros concentrou-se na Diário da Manhã durante os anos 60 e foca a relação dos ouvintes com os produtos anunciados nos intervalos comerciais das radionovelas. Havia três tipos de anunciantes: locais (ligados principalmente ao comércio), de redes nacionais e empresas multinacionais.

O jornalista aplicou questionários a 57 antigos ouvintes de radionovelas, que moram em Florianópolis, Palhoça e São José e hoje têm, em média, 61 anos de idade, sobre seus hábitos em relação aos dramas transmitidos pela emissora: nesse ponto, sua conclusão é de que os folhetins funcionavam como agregador familiar, já que a maior parte dos entrevistados escutava-os em casa, à noite, com a família.

Outro questionamento foi sobre os comerciais. Mais da metade (56%) dos questionados lembra da publicidade veiculada com as radionovelas e 52% do público recorda o nome das empresas que publicavam os reclames. A taxa de pessoas que disseram imitar as personagens é de 51,7% e 6,8% batizaram crianças com nomes em homenagem a estas.

Medeiros iniciou sua tese na França, em 2000, e no ano letivo 2001/2002, recebeu diploma de estudos aprofundados (equivalente a mestrado) no Departamento de História da Universidade de Maine, em Le Mans. Em 2002, retornou ao Brasil para pesquisa de campo. Voltou então à França para concluir a tese. Os orientadores foram a francesa Brigitte Waché, doutora em História Contemporânea, e Eduardo Meditsch, doutor em jornalismo, professor da Ufsc.

Sua pesquisa com radionovelas iniciou em 1996, quando escolheu o tema para seu trabalho de especialização, que rendeu o livro Dramas no Rádio – a Radionovela em Florianópolis nas décadas de 50 e 60. Depois publicou também A História do Rádio em Santa Catarina e, em parceria com Dieve Oehme e Cláudia Barbosa, Zininho, Uma Canção para Florianópolis. Em março de 2005, deve lançar, com o publicitário Antunes Severo, Caros Ouvintes, sobre os 60 anos do rádio na Capital.

2 respostas
  1. bruno nunes says:

    Voces por um acaso poderia me dar um ideia de um tema de monografia envolvendo o radio??? obrigado…aguardo retorno

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *