Informação errada é apenas desinformação

Publicado em: 16/05/2013

Em tempos de conectividade extrema, onde as pessoas acessam a informação de qualquer lugar em que estejam, os meios de comunicação “tradicionais” têm enfrentado alguns problemas inerentes a esse novo modelo.

Estou falando, naturalmente, de empresas cujo objetivo precípuo é a produção e divulgação de notícias. Destas, se espera que ofereçam agilidade sem no entanto perder a fidelidade da informação, o que provoca um dilema: como competir com o “jornalismo-cidadão”, onde um verdadeiro exército com milhares de pessoas produz conteúdo em tempo real e ao mesmo tempo garantir a veracidade do que é publicado?

Se, por um lado, perder tempo em demasia para validar uma informação causa o risco de publicá-la com atraso, por outro a ânsia de ser o pioneiro pode causar incorreções que afetem a credibilidade do veículo.

Um exemplo prático sobre o que estou dizendo, acontecido aqui mesmo no “quintal de casa”: na última segunda-feira (13/05), perfis oficiais de empresas jornalísticas alertavam a população, via redes sociais, sobre filas no acesso ao aeroporto de Florianópolis, por conta das obras de duplicação da rodovia Diomício Freitas, único caminho até o terminal de passageiros da capital catarinense. Mais que isso, a “notícia” sugeria às pessoas que embarcariam nas próximas horas que antecipassem sua ida ao aeroporto, sob pena de perderem o horário marcado.

Como moro há poucas centenas de metros do local mencionado, resolvi exercitar meu lado jornalista e investigar a notícia. Com esse simples cuidado, detectei dois erros grosseiros nessa aparentemente simples e inofensiva nota: primeiro, a fila era no sentido aeroporto-centro, ou seja, inverso ao noticiado e sem chances de causar qualquer prejuízo a quem estivesse se deslocando ao aeroporto; depois, a retenção era causada por obras de manutenção em uma ponte e não pela duplicação da rodovia.

Imagino como deve ter ficado o cidadão que, acreditando na notícia, saiu em desabalada carreira para não perder o vôo e não encontrou fila nenhuma. É claro que o erro não causou nenhum dano irreversível, mas é somente um exemplo dos riscos que as empresas correr ao privilegiar rapidez em detrimento da precisão das informações.

Particularmente, antes de receber informação errada, prefiro não tê-la. Se não conseguem me entregar a notícia fidedigna, opto por ficar sem ela. Informação errada nada mais é que desinformação, que não constrói nada e só age no sentido de deteriorar a credibilidade de quem a fornece.

Cabe ao leitor/ouvinte/telespectador, mais do que em qualquer outra época, receber a informação com as reservas necessárias e, sempre que possível, checá-la com outras fontes antes de assumir como verdadeira. Aos jornalistas, o papel de investigar assumiu condição de essencial (se já não o era). É hora de fugir da comodidade das salas com ar-condicionado e investigar in loco os fatos. No agressivo mundo da comunicação moderna, não há lugar para os que se limitam a copiar e colar, é preciso usar a tecnologia de forma mais inteligente. Entendo que os recursos tecnológicos vieram para trazer mais produtividade – não apenas comodidade. Àqueles que acreditam que podem ficar à sombra, apenas colhendo os frutos do trabalho realizado pelos outros, é tempo de reavaliar sua condição. Ou de escolher outro caminho na vida.

3 respostas
  1. Edemar Annuseck says:

    Olá Marcelo,

    Não é apenas falta de informação e antes de mais nada falta de qualidade de quem faz jornalismo nos dias de hoje. Leia no edemarannuseck.blogspot.com a matéria “jornalismo sem qualidade” postado em 15.05.2013 e “que jornalismo é esse” de minha autoria publicado no meu blog e no Caros Ouvintes em 18.03.2013.

    Jornalismo é coisa séria ou deveria ser!

    Edemar Annuseck

  2. Marcelo Herondino says:

    Olá Edemar,

    obrigado pelas dicas, já vinha acompanhando seus textos no Caros Ouvintes (um dos últimos, sobre as redes de rádio, fecha exatamente com o que penso. Só não escrevi sobre ele para não repetir o assunto e porque seu texto já foi bastante esclarecedor). Não conhecia o teu blog, mas agora ele fará parte de minhas leituras diárias.

    Grande abraço!

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