J.B. Telles: o caminho do microfone passa pelo gramado do Tupy

Publicado em: 15/10/2012

Ricardo Medeiros

José Bonifácio Telles nasceu em Rio do Sul (SC), em 5 de junho de 1945. A com- pra de uma ‘radiola’ SEMP para ouvir os jogos da Copa do Mundo de 58 faz o menino de 13 anos tomar gosto pela narração esportiva. Falando numa lata ou qualquer coisa que ampliasse a voz, transmite de forma imaginária jogos no campo do Catarinense da Barra, no município de Rio do Sul, sua terra natal. Entrar na Mirador, não era coisa fácil, relembra J.B Telles. Incentivado por um parente, esquece um pouco do microfone para tentar a sorte jogando futebol no Tupy, de Gaspar. Parece que o destino está traçado. Para fazer parte da equipe, qual o emprego oferecido? Uma vaga de locutor na Rádio Clube da cidade. Mas era preciso fazer um teste, que ocorre enquanto a rádio transmitia a Voz do Brasil. Terminada a rede nacional, vê-se com a luz vermelha acesa “No Ar”, lendo ao vivo o seu primeiro comercial. É 14 de julho de 1961. Euforia geral. Até que poucos meses depois uma briga do administrador da rádio com um político da região, provoca um incêndio no transmissor da emissora.

Sem rádio para falar e com a vontade de não ficar longe de Gaspar, por conta de uma namorada, vai para o município próximo, Blumenau. Na Rádio Nereu Ramos tem o primeiro emprego devidamente profissional, trabalhando ao lado de cobras como Ronaldo Follador, Geni Lino, J. Pedro, Álvaro Correia, Virgílio Léo e tantos outros.

O salário mal dá para pagar o Hotel Estrela. A solução é voltar para Rio do Sul. Um dia, ouvindo o programa de esportes da Mirador, um dos locutores larga um “em ônzimo lugar”, destacando a classificação do campeonato paulista. Sente-se, então, encorajado e vai bater na porta da rádio, apresentando-se ao Diretor Artístico Donato Ramos. Está novamente no estúdio de uma emissora, agora com microfones RCA Jacaré.

São dois longos anos até que despertado por um salário melhor e desejando casar, aceita uma proposta da Rádio Clube, de Lages, onde como repórter, vive a primeira experiência de narrador. O jogo é entre Guarani (Lages) e Santa Cruz (Canoinhas), no estádio Vidal Ramos Jr. Ainda em Lages, passa pela Rádio Diário da Manhã, até voltar para a Mirador e depois compor a equipe da Difusora Alto Vale.

Em 1965, na cidade de Brusque, na cobertura dos Jogos Abertos de Santa Catarina, conhece o radialista Pedro Lopes, narrador e diretor artístico da Rádio Cultura, de Joinville, que lhe convida para trabalhar na emissora. Lá vai ele, no começo de 1967.

Neste período faz “frilas” para a Tupi, do Rio, dos jogos da Loteria Esportiva. Mas um novo desafio lhe é imposto: liderar a formação de uma equipe esportiva na Rádio Colon, que quer enfrentar Cultura. Experiência passageira, pois Cezar Rizzo (coordenador da Tupi) o indica para ser narrador na Rádio Cabugi, de Natal, Rio Grande do Norte.

Voa para o Nordeste para dividir espaço com um gigante da região, Roberto Machado. Também torna-se repórter do jornal Tribuna do Norte, aproveitando a experiência de texto quando escrevia – a partir de Joinville – para o Jornal de Santa Catarina, editado em Blumenau.

Da Cabugi parte para a Rádio Poti (Diário Associados). Com muita saudade da família, volta a Santa Catarina, em 1972, onde fixa residência em Florianópolis. Arrumar um novo emprego, foi fácil. Conversa com Humberto Mendonça, originário da Bandeirantes (SP), que vem para montar uma nova equipe da Diário da Manhã de Floripa. Começa como segundo narrador, mas logo passa a primeiro, criando o grito de “gol, gol,gol, gol”.

Na capital catarinense, da Diário da Manhã vai montar uma equipe na Rádio Jornal A Verdade e menos de um ano após, para a Rádio Guarujá. Com proposta de emprego na Rádio Gaúcha de Porto Alegre (RS), em 1977, não consegue transferência para a capital gaúcha, uma vez que é funcionário de carreira na Secretaria Estadual da Educação de Santa Catarina. Perde a oportunidade de ir à Copa da Argentina evento em que já está pré-credenciado. Em 78, novo chamado para a Gaúcha para cobrir o Campeonato Brasileiro disputado paralelamente à Copa do Mundo. Narra as partidas e imediata- mente retorna ao estado catarinense.

No ano seguinte, o Grupo RBS se instala em Santa Catarina e J. B. Telles é convidado para montar o Esporte na então TV Catarinense, hoje RBS TV, afiliada da Rede Globo. Permanece na televisão durante 21 anos. É narrador e mais tarde comentarista. Em 1986 é contratado para escrever uma coluna no periódico do grupo, o jornal Diário Catarinense. Com a aquisição pela RBS, em 1996, da Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, passa a exercer diversas funções na emissora também na área esportiva.

Em dezembro de 1999 deixa a RBS, empresa pela qual cobre as Copas do Mundo da Itália, Estados Unidos e França e as Copas América do Chile, Equador, Uruguai e do Paraguai. Tem, ainda, o privilégio de ser o único jor- nalista catarinense em Paris, na França, na conquista do primeiro título de Guga Kuerten no Torneio de Roland Garros, em 1997.

A partir do ano de 2000, José Bonifácio Telles, o J.B. Telles, começa a tra- balhar sem vínculo, cobrindo as Copas do Japão/Coreia, Alemanha e África do Sul. É responsável pelo credenciamento da imprensa mundial nos jogos da Seleção Brasileira de Futebol realizados no país e executa a supervisão dos meios de comunicação do Brasil na Copa América.

Referência: Depoimento de J.B. Telles ao jornalista Ricardo Medeiros, em 14 de abril de 2012.

3 respostas
  1. Edemar Annuseck says:

    Esse é o cara!

    Grande JB ou como eu sempre lhe chamo: José Bonifácio. Também pudera; ele sempre brincava comigo chamando-se de Arnozek.
    Estivemos juntos em várias jornadas. Amigo Telles, lembro acho que foi 1968, você me buscou em Blumenau para ir a Florianópolis transmitir um jogo importante – Avai vs. Caxias – pelo Catarinense pela Rádio Colon no Estádio Adolfo Konder ou como diria Lauro Soncini, na “boate do Adolfo Konder”.
    Estivemos juntos em vários eventos nacionais e internacionais.
    Parabéns pela homenagem que vc mui justamente recebe.

    Edemar Annuseck
    São Paulo – SP

  2. Walter Souza says:

    Nota 10. Tive a honra de trabalhar com o JB na primeira externa da TV Catarinense dia 01.05.79 no estádio do Figueirense: Avai x Carlos Renaux. JB eu quero ouvi-lo, ilo ilo ilo ilo ilo.

  3. Terezinha says:

    “O conformismo é o carcereiro da liberdade e o inimigo do crescimento” (Fitzgerald Kenendy)
    Adequadas a esse grande homem, que sempre batalhou com a verdade,honestidade e gratidão.

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