Janete Clair e Ivani Ribeiro

Publicado em: 20/07/2005

No rastro das escritoras de rádio, um nome consagrado foi Janete Stocco Emero, ou simplesmente Janete Clair, como era conhecida. Natural da cidade de Minas Gerais chamada Conquista, ela abandonou sua terra natal para morar em São Paulo.
Por Ricardo Medeiros

Na capital paulista tentou trabalhar como analista de laboratório, mas o destino dela era mesmo o rádio. Em 1944 foi recrutada pela Rádio Difusora e quatro anos mais tarde se transferiu para a Rádio América, atuando como locutora, radioatriz além de ser também redatora. No início de 1951, Janete Clair estava na emissora da « familia brasiliera », a Tamoio, como redatora e radioatriz.


Janete Clair

No mesmo ano se transferiu para a Rádio Clube do Brasil, no Rio de Janeiro, escrevendo naquele prefixo apenas novelas. Nesta estação, entre suas obras, estão Os Deuses também Amam , inspirada na vida de Franz Schubert, e Doutor Ninguém, a respeito do preconceito racial.  Na Rádio Nacional, um dos sucessos de Janete Clair foi Uma Escada para o Céu. Para Janete Clair, escrever folhetins era sinônimo de prazer. « Era uma coisa assim…muito mais simples. Não que não tivéssemos compromisso com a realidade, não é isso. Mas acho que os tempos eram diferentes. E rádio era uma coisa mais humana. Mais perto da gente. Mais perto do povo ».

Ivani Ribeiro, nascida Cleide de Freitas Alves Ferreira, figura também nesta galeria de mulheres. Ela começou como cantora na Rádio na Educadora Paulista. Da PRA-6 ela se transferiu para a Rádio Tupi e mais tarde, junto com o marido, o locutor Dárcio Ferreira, foi trabalhar na Rádio Bandeirantes. Na PRH-9, já no clima dos folhetins, ela ganhou um programa diário de radioteatro chamado Teatro Ivani Ribeiro. Das mais das 350 obras da autora, destacam-se entre elas Uma Voz ao Telefone, Uma Rua Chamada Pecado, A Indesejável e Rádio-Folias 48.


Ivani Ribeiro

No campo feminino ainda, uma secretária virou escritora. É Heloísa Castelar, funcionária da Standard Propaganda, que mantinha a conta da Colgate-Palmolive. O dia a dia de Castelar era de classificar, datilograr e redigir correspondência e servir cafezinho aos diretores e visitantes da agência. Porém, o sonho dela mesmo era canalizar o seu empenho e dedicação para escrever para o radioteatro. O dia de sorte de Heloísa chegou quando Péricles do Amaral estava escalado para fazer um texto dramático para o programa da Elvira Rios na Rádio Cultura de São Paulo e não pôde comparecer. Sem falta de opções, a agência designou a secretária, que há muito esperava esta oportunidade, para cobrir a lacuna. Deste programa para escrever novela foi um caminho natural para Heloísa Castelar.


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