Jantar Inesquecível

Publicado em: 11/05/2005

O médico Amaro Joaquim Alves, ofereceu um jantar aos radialistas de Joinville para comemorar a sua eleição como vereador. A confraternização acabou se transformando num pandemônio. Se arrependimento matasse…
Por Léo SaballaAlém de urologista competente, Amaro era considerado exímio orador e articulador político. Conhecia a política local como poucos. Falante e atencioso, era amigo de quem trabalhava na área da comunicação.

Depois de servir um suculento churrasco à beira da piscina, na sua belíssima casa, o médico anunciou a música ao vivo, para entusiasmo dos radialistas, que bebiam sem qualquer cerimônia. A repórter da RBS TV, Virginia Gayoso, nutria ódio mortal pelo repórter Ayres Zacarias e se afastava sempre que o desafeto se aproximava dela.

Quando os músicos iniciaram o repertório romântico de Roberto Carlos, o colunista Toninho Neves decidiu botar lenha na fogueira e lançou o desafio: “Zaca, duvido você tirar a Virginia para dançar”. Cheio de pompa, Zacarias parou na frente da repórter e olhando firme nos olhos dela fuzilou: “a senhorita me concede a honra desta dança?”. Irritada com a inconveniência, Virginia vociferou: “você não tem espelho em casa, assombração?”.

Zacarias, um negro de 1,90m de altura e pesando mais de 100 quilos, não se deixou abalar. Quase em câmera lenta, sorrindo, pegou a repórter no colo e do local onde se encontrava fez o arremesso humano para dentro da piscina. Houve quem viu uma incrível semelhança à cena do filme King Kong, quando a atriz Jéssica Lange foi colocada na palma da pata do gigantesco gorila.

Depois disso, a festa se transformou num pandemônio, com muita gente sendo jogada na piscina, inclusive a dona da casa, mulher do médico, com vestido novo e depois de passar horas no cabeleireiro. Algum tempo depois o jornalista José Gayoso, hoje assessor de imprensa do governador Luiz Henrique, irmão da repórter Virginia, chegou ao local com um arpão que ele raramente usava para pesca submarina. O objetivo era encontrar Zacarias, que aquelas alturas, já estava longe.

Na piscina, com a cor da água bastante alterada, alguns radialistas vestindo apenas cueca, nadavam sem se importar com os chinelos de dedo, sapatos, garrafas e pedaços de churrasco que boiavam ao seu lado. Na sala, a dona da casa era medicada pelo próprio marido, depois de uma crise de nervos. Há quem jure que esta foi à gota d’água para o divórcio do médico/vereador.


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