Jingles políticos: Collor, Lula, FHC e as esperanças da redemocratização

Publicado em: 05/10/2008

Em 1989, a esperança era um mar de bandeiras vermelhas, uma estrela de cinco pontas na maioria e a velha foice e o martelo, mais outra estrela, nas demais. Nos comícios, ainda retumbava a Internacional: “De pé, ó vítimas da fome/ Os proletários gritam guerra/ Até o fim da opressão”.

Atendendo aos desígnios do marketing, logo o velho hino da esquerda daria, rapidamente, lugar ao mais forte jingle político dos últimos 20 anos, aquele do “Lula lá”. Tão forte que sobreviveria, adaptando-se, a três derrotas e a duas vitórias do candidato do Partido dos Trabalhadores.

Está certo. Em tempos de Lula Light, o vermelho das bandeiras foi pendendo da esquerda para o centro, alguns dirão, inclusive, para a direita com flertes a ex-arenistas, aqueles da ditadura, transformando-se em explícitas e públicas vias de fato.

O jingle de Hilton Acioli, no entanto, permaneceu, pelo menos, no imaginário das pessoas e rearranjado, alterado, foi mantido em espírito nas versões de campanhas posteriores. Ou este mesmo Lula Light não é um trocadilho maldoso com aquele mais esperançoso Lula Lá, provando, com certeza, a força musical e propagandística da canção daquela campanha de quase duas décadas atrás.

Desde então, nem só do jingle do candidato três vezes derrotado e duas vezes vitorioso viveriam as campanhas presidenciais. O do vencedor das eleições de 1989, Fernando Collor de Mello, era também muito bom, talvez a provar a supremacia qualitativa, por vezes, da mensagem propagandística sobre o conteúdo do produto vendido.

Os do outro Fernando, o FHC, o Fernando Henrique Cardoso do PSDB, tinham até certo teor sociológico a lembrar a profissão de origem do político habilidoso que venceria os pleitos de 1994 e 1998. Em ambos, a voz de Dominguinhos sustentaria propostas, sonoridade levemente nordestina sem deixar de ser, em sua totalidade, brasileira. Ah, e dizendo o que as pessoas queriam ouvir.

Jingle político é assim mesmo. Não ganha eleição, mas ajuda. Mensagenzinha repetitiva para não sair da cabeça e influenciar o eleitor. Agora, se permanece anos depois como referência, fazendo parte do imaginário popular, aí então, talvez tenha transcendido o objetivo inicial. De mera propaganda, graças a habilidade de seus criadores, torna-se quase uma obra de arte, reverenciada como um hino pelo eleitor do candidato apoiado ou respeitada e até invejada pelo outro, o que vota no adversário combatido.

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