João Ari Dutra, uma família de artistas

Publicado em: 29/03/2013

Na casa de João Ari dos Santos Dutra todo mundo é artista. Todo mundo é artista e não tem vigarista, define ele fazendo rima. Os irmãos Mário Fernando é dentista, Paulo Dutra é fotógrafo e cinegrafista e o próprio é radialista. “Tudo termina em ista”. Mas artistas mesmos foram o avô Clemente Cordeiro, que tocava trompa na banda da Polícia Militar, o mesmo instrumento em que o pai Paulo Cordeiro Dutra foi mestre e pertenceu a orquestra do Clube Doze de Agosto durante 30 anos, formando um respeitável naipe de sax com o irmão Nilo Dutra e Nabor Ferreira.

João Ari nunca tocou absolutamente nada, foi inclusive dispensado da tarefa de tocar o sino da igreja de São Luiz, na Agronômica (Florianópolis).

Afastado há dez anos do microfone e vivenciando um período em que foi um dos locutores mais polêmicos e não menos folclórico-falastrão das emissoras da Capital, João Ari continua respirando rádio e divide a rotina de seu dia-a-dia tecendo crítica à qualidade das programações e fazendo política sem a pretensão de ser candidato, como dedicado atendente das moças da região que o procuram em busca principalmente de emprego.

Justifica que ainda paga o preço da fama como a maior audiência radiofônica de sua época. Empertigado, elegante na maneira de trajar, sem dispensar o paletó e a gravata, fala pelos cotovelos como bom ilhéu, porém mantém o hábito do microfone ao conversar com a voz empostada, da melhor escola Cyro Barreto.

Lembranças da infância no morro do Céu, nas peladas no campo do Maleta com a família Foguete são muitas, porém guarda na memória os momentos de afinidade com Jaqueta, que lhe propiciaram a oportunidade para ser dançador titular da cabrinha, no mais popular boi-de-mamão da cidade, o boi do Jaqueta.

“Sou um homem iluminado, nasci em julho, mês que o Brasil foi tricampeão mundial, mês que o homem foi à lua” brada Caju, apelido eternizado por torcedores na época em que era repórter esportivo, ao ser confundido com o companheiro de transmissão, o falecido Murilo José.

Polêmico, extravagante e sem papas na língua, balançou as estruturas conservadoras das emissoras em que trabalhou, principalmente quando assumiu a postura de torcedor apaixonado pelo Figueirense ao fazer a cobertura de jogos como repórter de pista. Comprou de imediato a antipatia impetuosa da torcida avaiana, repugnância conservada entre ambas as partes até hoje.

Audiência comprovada no rádio, era convidado à apresentar cantores de sucesso em excursão por Florianópolis, entre os quais Ellis Regina, Roberto Carlos e Wanderley Cardoso. Sua identificação com o público jovem obrigou a direção da Guarujá à autorizar a apresentação de seu programa no auditório, prestigiado principalmente por estudantes. Inovou ao quebrar o gelo entre as emissoras, ao fazer a “ponte da amizade” com o colega Walter Souza, na Diário, no mesmo horário.

Consola-se ao afirmar que não se arrepende nada do que fez. “Sempre que procurei inovar, porém, fui incompreendido pela direção das emissoras. Lembro que ao ler um reclame que dizia: “Anda sem calça quem quer. Compre na Macedônia”. “Fui sumariamente demitido. Vê se pode?”

AN Capital | Fala Mané | quarta-feira, 3 de abril de 2002

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