Jorge Maciel – Um figuraço I

Publicado em: 02/12/2007

“Cara, passa no teu apartamento antes de seguir para minha casa e pega o CD de Caminito, com o cantor Jorge Maciel” (da crônica Amadeu Gonçalves, Uma Figura Fenomenal).
Por José Alberto de Souza

Migrando de Jaguarão – a mais meridional não o fosse Chuí e Santa Vitória do Palmar – para Porto Alegre, aqui encontrei vários conterrâneos nas minhas andanças pela Rua da Praia naqueles já remotos anos cinqüenta, constituindo assim turma de amigos com Edar Dutra Monteiro, Flávio Brum, José Martins de Souza Neto, Nilton Monteiro e outros mais que deixo de citar para não ocupar toda página com uma extensa lista de nomes.
Em nossas conversas na frente da antiga Indiana, volta e meia surgiam as advertências sobre as mordidas do jaguarense Jorge Maciel, a mais comentada de todas aquela da fiança que o Flávio Brum prestou-lhe nas Lojas Renner para aquisição de um terno de roupas e que teve de honrar do próprio bolso.
Com o sumiço do Jorge, o Flávio andava no seu encalço para cobrar a dívida. Muitos até desistiam e se compraziam com a situação de vítimas, gozando-me por ainda permanecer invicto – “o Jorge anda te procurando, vais marchar”… Risada geral.
Vamos, pois traçar o perfil dessa figura marcante que ainda não foi registrada no anedotário da Rua da Praia.
Filho mais moço de conceituado construtor, com decisivas influências no Partido Trabalhista Brasileiro de Jaguarão – Clodomar Maciel – e irmão de João e Clodomar Filho, todos eles veteranos jogadores do segundo time do glorioso Esporte Clube Cruzeiro do Sul. O Jorge costumava tomar os seus inolvidáveis frangos no arco da equipe estrelada, muitas vezes traído pelas atrasadas do zagueiro, seu mano João, enquanto isso o Clodomarzinho esmerava-se nos cruzamentos da ponta-esquerda, na esperança de que saísse algum gol olímpico.
Dizem que o Jorge costumava abrilhantar as noitadas nos cabarés locais, cantando tangos e boleros, muito apreciados pelos boêmios da época, entre eles Peixoto Primo, cuja orquestra de Rio Grande sempre tocava no Clube Harmonia.
Lá pelas tantas, munido de carta de recomendação do velho Clodomar para o deputado Domingos Spolidoro, o Jorge resolveu tentar a sorte na Capital. Pois bem, esse deputado conseguiu-lhe colocação como conferente de estiva no caís do Porto local.
Pelo contrato de trabalho, tinha direito a faltar três dias/mês e ele interpretava como se fossem os dias em que havia de labutar, quer dizer, deveria folgar nos restantes.
Assim, o deputado Spolidoro via-se em palpos de aranha para justificar as malandragens desse seu peixinho, mas sempre conseguia safá-lo das conseqüências de um desemprego iminente.
Link Relacionado
:: Amadeu Gonçalves, Uma Figura Fenomenal


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