José Braz de Oliveira, o primeiro empresário de Teixeirinha

Publicado em: 30/11/2008

Tempos atrás, eu soube pelo pesquisador Israel Lopes do falecimento de José Braz de Oliveira. Foi meio por acaso. Junto com o seu livro “Teixeirinha, o gaúcho coração do Rio Grande”, Lopes me enviou um artigo do jornal Letras Santiaguenses sobre a morte do delegado Braz em 27 de setembro de 2007.Anos antes, um exemplar da Revista TV me chamara a atenção num dos inúmeros sebos do centro de Porto Alegre. Nele, no expediente, aparecia o nome do mesmo Braz de Oliveira. Tornou-se um desafio, então, localizar o antigo proprietário da publicação para ter acesso à coleção completa da revista. Circulando de novembro de 1954 a novembro de 1960 e abordando, além da grande novidade representada na época pela televisão, folhear os exemplares iria facilitar em muito a recuperação da história das emissoras de Porto Alegre naquela segunda metade da década de 1950, parte importante da tese de doutorado que eu então desenvolvia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi com certa estranheza que, ao falar com ele por telefone, recebi o convite para ter acesso à coleção:

– Dá uma passada aqui na Ugapoci amanhã cedo…

Minha primeira reação: “Poxa, vou pesquisar sobre rádio na União Gaúcha de Policiais Civis…” Passaria lá algumas semanas folheando as revistas, entre um cafezinho e outro, por vezes levando exemplares para casa, escaneando, fotografando… De vez em quando, o delegado dava uma passadinha por lá. E aí contava histórias daquela paixão pelo rádio, décadas atrás.

Teixeirinha e Braz (1960)

Falava do orgulho de ter sido o primeiro empresário de Teixeirinha, de ter dado espaço para Glênio Reis nas páginas da revista, de ter apoiado o animador-galã Salimen Júnior. A lembrança movia-se para a cidade de Pelotas. A pequena rodoviária cheia de gente. Teixeirinha chegando e, ali mesmo, tocando para a multidão. Um Braz de Oliveira assombrado, não acreditando no que via. Logo aquele gaudério que, na capital, muitos encaravam com preconceito! De gole em gole, ia voltando no tempo com gosto… E saudade.

Quando defendi minha tese “Rádio e capitalismo no Rio Grande do Sul”, o delegado Braz esteve lá na platéia. Foi um dos que me deu apoio e confiança na apresentação desse relato sobre a história do rádio na segunda metade do século 20. Quando saiu publicada em livro, no ano passado, estranhei a sua ausência. Um ou dois meses antes, ele já deixara estes pagos. E, agora, se você leu até aqui, esperando informações sobre Vitor Mateus Teixeira, falecido em um início de dezembro, 23 anos atrás, sinto muito.

Esta semana, o dia 4, serviu aqui para lembrar-se do seu primeiro empresário. De Teixeirinha, também, é claro. Os dois, talvez, andem lá por cima, um cantando as dores e as mazelas do seu povo. O outro, ainda, extasiado pela popularidade daquele gaudério baixinho, violão em acordes e acordes a acompanhar um gaiteiro n’alguma rodoviária das lembranças, perdida no tempo e no espaço, mas presente na memória.

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