Kit Sobrevivência: A conversa corria solta e assim o riso.

Publicado em: 08/12/2013

Coisa de lá se vão bem uns bons quarenta anos, Fulano, Sicrano e Beltrano reuniam-se toda sexta-feira, sempre em torno de boa comida e boa cerveja, elementos favoráveis à boa conversa e a muita, muita risada.

A conversa corria solta e assim o riso. O tema, livre. Lá pelas tantas, o assunto resvalou para um terreno perigoso. O Fulano, vaidoso como ele só, disse que não podia comer muito, pois estava de regime. Os outros caíram de pau. O Beltrano comia e dizia: – Eu quero é carne gorda! Eu gosto mesmo é de ouvir as veia entupindo! E dá-lhe riso!

Mas o Fulano insistiu, então a conversa desandou. E veio com uns papos de índice de circunferência abdominal, nível disso e daquilo, aquela chatice que todo mundo conhece. Às gargalhadas, o Sicrano confessou: – Dia desses quaj que me mijei-me todo… A barriga não me deixava achar o pinto, cara! Naquele momento eles tiveram a dimensão exata do problema. Sabe como é homem!

Ficou decidido que na segunda-feira, sem falta, agendariam uma visita ao médico pra começar o regime. Para ninguém trapacear, o Fulano se encarregou de agendar as consultas. Todos no mesmo dia, horários consecutivos. Ansioso, ele chegou primeiro, é claro. Depois chegou o Sicrano. – Esse doido, ó! Não é que levou a sério? Por último, chegou o Beltrano trazendo uma marmita nas mãos. Os dois já desandaram a rir porque, em se tratando do Beltrano, boa coisa não havia de ser.

O Beltrano sentou, abriu a marmita e disse: – Tão servidos? Na marmita uma generosa porção de torresmo ainda quentinho. A gargalhada foi geral. – Tu táj doido, cara? Se a médica te pega! Disse o Fulano, baixinho. O Beltrano deu de ombros. – Vocês que sabem. Essa é a nossa última refeição decente, acreditem em mim. E se pôs a comer o torresmo enquanto aguardava.

0 respostas

Deixe uma resposta

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *