Lá se vão vinte e um anos sem Alcides Gonçalves

Publicado em: 20/01/2008

Mas quem é Alcides Gonçalves? Hoje em dia, um ilustre desconhecido para as novas gerações e até mesmo de outras não tão novas, graças à incúria como vem sendo tratada a nossa memória musical.
Por José Alberto de Souza

Pois este saudoso amigo – assim me permito tratá-lo pela grande benção do seu convívio nos dois últimos anos de sua existência – foi uma das figuras marcantes dos primórdios da história do nosso rádio.
Alcides Gonçalves e o rádio antigo confundem-se como se percorressem uma mesma trilha – este último já passando da casa dos oitenta e aquele chegando neste ano ao seu centenário de nascimento.
Há algum tempo atrás, assistindo a Seresta na Casa de Cultura Mário Quintana, questionei a apresentadora do espetáculo sobre a omissão do nome de Alcides como parceiro de Lupicínio Rodrigues na canção Maria Rosa, cuja intérprete já veterana falou que desconhecia a autoria da música como sendo desse grande esquecido.
Todo aquele que tem um mínimo de conhecimento da história da música popular brasileira, deve e tem a obrigação de saber que a dupla Lupicínio Rodrigues (letra) e Alcides Gonçalves (música) legou à posteridade grandes clássicos do nosso cancioneiro, tais como Cadeira Vazia, Castigo, Maria Rosa e Quem Há de Dizer.
Conheci essa grande figura do nosso mundo artístico em espetáculo apresentado pelo cantor Aroldo Dias – Noite de Seresta – apresentado na Sociedade União e Progresso, lá por meados dos anos oitenta.
Confesso que me emocionei com a sua presença, os cabelos grisalhos e a sua voz ainda bem impostada, esbanjando a sua dignidade de compartilhar arte e identificação com o público que ali comparecia para assisti-lo ao vivo.
E ainda hoje guardo com carinho o autógrafo colhido naquela ocasião sobre o convite e entrada adquiridos na véspera.
Daí nasceu aquela amizade que nos permitiu uma caminhada conjunta de encontros nas inesquecíveis noitadas do restaurante do CIB – Centro Ítalo Brasileiro.
Para finalizar, estou anexando duas gravações misteriosas que achei no acervo em fitas de rolo (daquelas antigas) de Paulo Bastos, outro amigo íntimo do Alcides, desconhecidas pelos entendidos aqui da praça e apenas reconhecidas pelo nosso veterano Plauto Cruz.
Assim, temos a interpretação de Lupicínio Rodrigues, com a música de sua autoria Minha Cidade, que posteriormente veio a ser gravada pela cantora Naura Eliza a partir de fragmentos que lhe foram passados pelo Lupinho, cujo arranjo original então era ignorado por eles.
A outra é uma incógnita: interpretação de Alcides Gonçalves, desconheço os autores.
Clique para ouvir
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