Lauro, primeiro e único

Publicado em: 14/12/2008

Conservo dos meus tempos de publicitário a mania de escrever o título antes de pensar no texto. Ainda não descobri quem foi o maluco que começou essa prática, mas a danadinha funciona.

Depois que acordei e li o título, fiquei que nem pulga fazendo piruetas nos palcos, como num filme de Chaplin. Enfim, porém, me decidi. É isso mesmo, o Lauro merece.

Negócio seguinte: o Lauro Soncini tinha fama de vagau nos bons tempos em que trabalhamos na Rádio Diário da Manhã e depois pela vida a fora, mas eu estou mais pra acreditar que era o próprio Lauro que alimentava a maledicência. Acho até que ele gostava disso.

O tempo passou o Lauro manteve-se no rádio até 1970, eu cambiei pras lides publicitárias, então pouco a gente se encontrava, mas quando acontecia era sempre um  momento de alegria e uma oportunidade para o Lauro repetir – olha, qualquer dia eu vou te levar aquele chapéu mexicano que eu trouxe pra ti…

O chapéu era pra mim um troféu histórico, pois o Lauro comprara quando da Copa de 1970 que ele foi transmitir e que marcou o encerramento de sua carreira de narrador e comentarista esportivo.

Agora que te mandaste lá pro degrau de cima e aos daí só se esperam bons fluídos, eu resolvi dar uma aprontada. Então, me desculpa companheiro, mas eu vou te entregar!

Vou te entregar porque aquela fama de vagau que circulava pelos corredores da Diário da Manhã era pura encenação, aquelas ameaças de se demitir toda vez que pedia um vale e o Chiquito demorava pra atender, era pura conversa para inglês ver. Nas minhas contas tu foste o cara que inspirou o Zigelli a escrever aquelas “Regras de Redação” que o Moacir Pereira depois registrou no livro dele onde chama o Galego de “O Vanguardista dos Manuais”?

E sabes por quê? Porque quando ele começa falando em deveres e disse: “(…) é importante recordar que aqui vivemos o nosso trabalho; e se aqui trabalhamos, vamos trabalhar juntos, num clima de cordialidade. É vantagem para cada um e vantagem para todos”, ele estava pensando nos bons exemplos do pessoal do departamento de notícias. Agora presta atenção Laurinho: “Se algum colega lhe pedir a cobertura de um horário, faça o possível para atendê-lo”. 

Rapaz, ele faltou só dizer o teu nome! Tu foste sempre o mais disponível, o maior quebrador de galho que eu conheci naquele departamento.

Laurinho, se ainda estás meio ressabiado, que tal relembrar mais esta? Escuta:
Pra nós – Preta e eu – de fato tu foste o maior achado de nossa vida. Tu te lembras lá de 1958 quando eu fui trabalhar na Guaíba em Porto Alegre e a Preta ficou aqui, quem foi que nos apadrinhou e nos deu a mão estimulando a que assumíssemos o compromisso de viver juntos? Pois é! E deu no que deu, não é? Claro, tu sabes e nos acompanhou até poucos dias atrás, mas como muita gente não sabe, eu vou contar.

Daquele ponta-pé inicial nasceram cinco filhos, que nos deram oito netos, que já nos deram duas bisnetas e que nos permitem hoje, neste dia 13 de dezembro, comemorar 50 anos de parceria e vida em comum.

Laurinho, pela graça divina que isso representa aceita o agradecimento reconhecido desta tribo que te ama, pra mais de metro: Antunes, Preta, Gilberto, Jacqueline, Gisele, Giane, Jasmine, Mariana, Marcelo, Giane (neta), Elisa, Carolina, João Pedro, Guilherme, Lucas, Joana e Sofia.

2 respostas
  1. Odemar Costa says:

    Se está recebendo recados é porque está vivo. QUE ALEGRIA!
    Afinal, havendo me desligado da Rádio Jornal A Verdade, em janeiro de 1961,
    foi o bom amigo Soncini quem telefonou para Edison Siveira na Difusora Itajaí,
    para que me contratasse. Foi o pós graduacão que capacitou para ser descoberto
    pela Bandeirantes, Passem ao Soncibi meu email [email protected] e
    telefone 11 7628-0018. Sou muito grato ao Lauro Soncini. Um abraço. Odemar.

  2. Odemar Costa says:

    Com essas letras quase invisíveis que este blog insiste em utilizar nem me
    dei conta do parágrafo que se referia ao andar de cima. E em minha resposta, o
    correto é “foi o pós graduação que me preparou para ser convidado pela Bandeirantes.
    O neto de Lauro fez contato comigo demonstrando alegria por saber que o avô
    influíra na vida de pessoas. Odemar.

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