Lima Martensen e a pizza napolitana

Publicado em: 06/04/2005

No último episódio, contamos como Lima Martensen, o gaúcho que amava o rádio e que mais tarde viria a ser o presidente da Lintas Publicidade, passou a integrar os quadros da recém criada PRA-5, Rádio São Paulo.
Por Francisco Socorro, de Florianópolis

Foi lá, no programa Os Saraus de Madame X, produzido pelo escritor  Menotti Del Picchia, que Lima Martensen teve a sua primeira chance de atuar no rádio,  embora como atividade paralela e praticamente sem remuneração  pois estava empregado como vendedor numa empresa que coletava e vendia informações comerciais.

Nessa ocasião, aconteceu um convite da direção da Rádio São Paulo, que lhe entregou a produção e animação do programa Cocktail  PRA-5,  de música popular e humor. O programa era produzido em conjunto com o maestro Breno Rossi.  Mas vamos deixar que o próprio Lima Martensen nos conte esses seus primeiros dias de rádio, nos anos trinta,  trabalhando “full-time”.

“Quanto talento desfilou por esse nosso programa Cocktail PRA-5. Silvino Netto que nesse tempo não fazia humorismo e sim cantava românticas canções brasileiras; Alvarenga e Ranchinho, a mais popular e divertida dupla caipira de todos os tempos, Francisco Alves, Zé Fidélis, Nelson Gonçalves, Fernandinho do chapéu de palha e sua parceira, Janette, Carmen e Aurora Miranda…”

Fugindo um pouco do tema rádio, Lima Martensen relata como, através de seu já amigo Breno Rossi, conheceu (e saboreou)  um dos ícones da culinária italiana adorada pelos paulistas até hoje: a pizza. Algo que, segundo ele, não existia ainda  em sua cidade natal, Rio Grande.

Mas deixemos ele próprio contar essa história saborosa.

“Foi Breno Rossi quem me apresentou uma vedete que entrou em minha vida para ficar: a pizza napolitana. No Rio Grande, na minha época, não se conhecia essa delícia inigualável da culinária italiana. Por razões indecifráveis, tinha permanecido alheio à pizza aos dezenove anos até que numa noite, depois de um programa bem sucedido, Breno convidou-me para saboreá-la na Rotisserie Giordano, na Avenida Brigadeiro Luiz   Antonio quase ao lado do Cine Paramount. Fizemos o longo percurso da Rua 7 de Abril até a Brigadeiro a pé, passando pelas ruidosas tábuas que formavam o piso do velho Viaduto do Chá, que era de ferro e fora importado da Inglaterra. Era noite de um inverno rigoroso e cheguei ao Giordano faminto e tiritando de frio. Liquidamos duas pizzas imensas (lembro-me que as maiores custavam cinco cruzeiros) regadas com duas garrafas de vinho italiano. Adorei a pizza e toda semana, depois do Cocktail PRA-5, ia com Breno ao Giordano para nos deliciarmos uma mezzo alicci-mezzo mussarela e um bom Chianti Ruffino…”.

No próximo episódio, vamos contar como Lima Martensen trava contato com  empresa Irmãos Lever, algo que  mudaria o seu destino profissional.

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Francisco Soccorro. Planejamento de licitações públicas, prospecções de novos negócios na área privada e elaboração de cases de marketing.


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