Lima Martensen ingressa na publicidade sem perceber

Publicado em: 27/04/2005

Falávamos no ultimo artigo que Rodolfo Lima Martensen foi um dos pioneiros no Brasil a produzir conteúdo para a Mídia, um campo que se está abrindo atualmente para as agências de publicidade.
Por Chico Socorro

Ele começou produzindo para a Rádio  Difusora, em 1936, em São Paulo, um programa de humor batizado de  A Hora Esquisita.  O programa era transmitido aos domingos às 12,30 horas e acabou se transformando num campeão de audiência da Rádio Difusora.

O programa acaba ficando cinco anos no ar e já no primeiro ano transformou o Sabonete Carnaval num sucesso de vendas, algo que chamou a atenção de um especialista em Marketing de Londres que veio ver o que estava acontecendo no Brasil que justificasse a ascensão tão rápida de um produto de segunda linha como era o sabonete Carnaval. Daí em diante, a empresa Indústrias Irmãos Lever passou a confiar outros jobs publicitários a Lima Martensen que, sem perceber, estava ingressando no ramo da Publicidade.

O interessante nessa história é que essa experiência no rádio acabaria abrindo as portas da Publicidade para Lima Martensen e o colocaria em contato com as Indústrias Lever, uma trilha profissional da qual ele nunca mais se afastaria. Como a história registra, Rodolfo Lima Martensen receberia mais tarde um convite para ingressar na Lintas, a House Agency que marcou época na Publicidade Brasileira.  Foi nesse período (1934-1936)  que surgiu a mensagem publicitária de rádio gravada, inclusive o jingle como o  conhecemos hoje.

Vejamos como Lima Martensen relata em seu livro de memórias, Desafios dos Cinco Santos, esse período de sua vida profissional.

“Meu primeiro jingle, escrito e interpretado por mim, data de 1935 e foi feito para o Sabonete Carnaval. Não consigo ouvir o velho disco de 78 rotações, com minha voz encoberta por uma cortina de chiados e estalos, sem enrubescer de vergonha. A cena é de um ridículo atroz! Com toda potência do meu vozeirão, canto como se estivesse tomando um banho de chuveiro, as virtudes do Sabonete Carnaval em ritmo de tango argentino! É de se morrer de rir!  Quem só conhece o processo de gravação comercial atual, cujo desenvolvimento muito se deve a José Scatena, com a sua RGE, não pode imaginar o martírio de uma gravação nos anos 30. O som tinha de ser gravado através de um só canal num espesso disco de cera que não podia ser retificado. Exigia-se perfeição do primeiro ao último sulco. Qualquer irregularidade no último segundo da gravação inutilizava o disco todo. Tratando-se de jingles ou textos gravados, mais conhecidos como spots de quinze ou trinta segundos de duração, costumava-se gravar quatro a seis faixas em cada lado disco, a fim de minimizar o desgaste na hora da execução pelas emissoras. Assim, se a interpretação tivesse sido perfeita até à penúltima faixa e na última surgisse um tropeço qualquer (um gargarejo de pedregulho, com o dizíamos) lá ia por água abaixo todo o esforço anterior e tínhamos de começar tudo de novo. Uma gravação caprichada de um comercial de 30 segundos, que envolvesse várias vozes e algum fundo musical poderia durar uma noite inteira, erminando alta madrugada, com todo o pessoal esfalfado”.


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