Linguagem e marinha

Publicado em: 23/02/2013

Somente a ausência de mulheres poderia fazer com que aquele dia não fosse perfeito. Céu de Brigadeiro, mar de Almirante e nós –  Silvio Garcia e eu – deitados no convés do barco, tomando cervejas e saboreando os mais variados aperitivos. No timão, Armando Luiz Gonzaga o que, por si só, já era sinal da maior tranquilidade, pois o homem é – nada mais, nada menos – que Capitão de Corveta da nossa Marinha de Guerra. Ao sabor de uma leve brisa, deslizávamos pela Baía Sul de Florianópolis,  quando fomos alertados pelo “Comandante” da  aproximação rápida de um vento sul daqueles de fazer sucesso na Laguna. Tal mudança no tempo exigiria que mudássemos – também rapidamente – as velas do barco, para poder resistir à força daquele pampeiro. Aí, começou a correria.

Sob a orientação do timoneiro, foi um tal de  amarra daqui, solta de lá, empurra pra cima, puxa pra baixo, quando, em meio a toda essa “tarefa náutica”, o homem  gritou  lá  do alto da “ponte”:

– Passa a adriça da bujarrona por trás do guarda-mancebo!

Além de estarmos visivelmente bêbados, de marinha nós entendemos tanto quanto de medicina nuclear, ou seja, nada. Aí, um olha para a cara do outro e indaga:– O que é que ele está dizendo? Que porra de língua é esta que ele está falando?

Não conseguindo entender nada, olhamos para o “Comandante” com cara de perplexidade,  ao que ele reafirmou:– Passa a adriça da bujarrona por trás do guarda-mancebo!

Como o “Comandante” já estava ficando nervoso, nos aproximamos dele e perguntamos o que deveríamos fazer. E ele,  sentindo que a sua tripulação poderia afundar o barco, procurou o melhor ar de calma e mandou passar a corda da vela da frente, de forma triangular,  por trás da grade que fica na proa  da embarcação.

– Ora, por que não falaste claro desde o início da  “operação”, porra?

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