Livro pretende recuperar memória catarinense

Publicado em: 13/07/2005

Florianópolis – Se fizéssemos uma viagem no tempo e voltássemos para a década de 1950, encontraríamos uma capital catarinense mergulhada nas ondas do rádio, com a população de ouvidos ligados em programas de auditório, jornalísticos e radionovelas.

[Por Deluana Buss, Jornal A Notícia 10/07/05]

Antunes Severo (E) e Ricardo Medeiros. Foto: Ricardo Mega

Observaríamos também uma divisão de público. Enquanto alguns permaneciam fiéis à Rádio Guarujá, criada em 1943 e pertencente ao pessedista Aderbal Ramos da Silva, outros preferiam a concorrente Rádio Diário da Manhã, novata mas fortíssima, nascida em 1955, posse da família Konder-Bornhausen, voz ativa da União Democrática Nacional (UDN). Hoje, os tempos são outros.

A televisão ocupou o horário nobre noturno e abriu-se um grande leque de opções para os ouvintes radiofônicos – atualmente a cidade tem 16 emissoras, somando AMs e FMs. Toda essa história está no livro “Caros Ouvintes”, que Antunes Severo e Ricardo Medeiros lançam no início de agosto pela Editora Insular.

Ex-radialista e mestre em administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Severo fez carreira, nos anos 50, na Diário da Manhã, atual CBN Diário. Foi locutor, radioator, produtor e apresentador de programas de auditório, repórter e noticiarista. Para ele, o rádio foi e continua sendo um instrumento de manipulação de poder por excelência. “Pode estar disfarçada de rádio musical, comercial, religiosa ou jornalística, mas o que importa é a influência política e econômica”, avalia o pesquisador, lembrando que Santa Catarina é, proporcionalmente à população, o Estado que tem o maior índice de audiência do País. “Temos muitos núcleos regionais, o que gera uma grande aproximação das emissoras de rádio com a população”, conta.

Estudos

Severo e Medeiros se cruzaram várias vezes nos últimos anos, em aulas, em entrevistas, ou um auxiliando o outro em pesquisas. Com doutorado em rádio e trabalhando como professor de radiojornalismo, Medeiros já escreveu um livro sobre radionovela em Florianópolis nas décadas 1950 e 1960, e outro sobre a história do rádio em Santa Catarina, em parceria com a jornalista Lúcia Helena Vieira. Neste segundo eles lembram que Santa Catarina conviveu com o glamour radiofônico por muito mais tempo que outras regiões do Brasil, onde a situação começou a mudar a partir de 1950, quando Assis Chateaubriand colocou no ar a TV Tupi, em São Paulo. Por aqui, as primeiras imagens de televisão chegavam precariamente, enevoadas. O golpe fatal só veio com a criação de duas estações de TV com assinatura catarinense: a TV Coligadas, de Blumenau, em 1969, e a TV Cultura, de Florianópolis, em 1970.

É nessa década também que as emissoras com amplitude modulada (AM) passam a ter de dividir espaço com as de freqüência modulada (FM). “Elas apresentavam uma boa qualidade sonora, ao contrário do chiado das outras emissoras”, lembra Medeiros. Ele confirma que, na capital catarinense, os anos de ouro do radiodifusão foram os anos 1950.

Foi nessa década que surgiram na cidade a Rádio Anita Garibaldi, do médico J.J. Barreto, hoje Cultura, a Diário da Manhã, a Jurerê, do deputado federal Elias Adaime, que durou apenas dois anos, a Jornal A Verdade, do jornalista e deputado estadual Manoel de Menezes, hoje Rádio Mais. Logo depois, em 1962, surgia a Santa Catarina, que neste ano passou a se chamar Bandeirantes. “Dessas, a única que se manteve até hoje com o mesmo nome, perfil e donos foi a pioneira Guarujá”, confirma o jornalista.

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